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Texto para as questões 38 e 39.
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem
de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que
o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de
vidro que fazia uma volta atrás da casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001.
Em se tratando da forma do poema em análise, é verdadeiro o que se afirma em:
Evidencia a arte nonsense da contradição, da incoerência proposital, em que o poema dispõe de neologismos soltos que subvertem a lógica gramatical sintático-semântica.
Estrutura-se por meio do uso de aliterações, assonâncias e ritmos suaves para criar um efeito musical no poema e, embora haja um caráter técnico nesse aspecto, sua finalidade é sensorial.
Apresenta uma espécie de concretude na imagem poética construída por meio das palavras, em detrimento da estrutura gráfica, ao mesmo tempo em que desafia os limites da linguagem lógica e convencional, em uma perspectiva onírica e surrealista.
Há um abandono da pontuação, da sintaxe e da métrica convencionais, credibilizando onomatopeias, neologismos, tipografia livre na montagem de palavras, criando, portanto, uma linguagem visual e sonora, que se aproxima da arte cultista.
Traduz, na fragmentação da linguagem, da narrativa e da linearidade, uma certa geometrização da disposição dos versos, caracterizando o multiperspectivismo, em que as ideias e os objetos apresentados no poema podem ser representados simultaneamente por vários ângulos.