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Analise a construção do poema em evidência, de modo a...

Texto para as questões 42 e 43.


Poema tirado de uma notícia de jornal


João Gostoso era carregador de feira livre e morava

no morro da Babilônia num barracão sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira: poesias reunidas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980.

Analise a construção do poema em evidência, de modo a assinalar o item correto a seguir.


A

O poema intenciona a busca por equilíbrio entre forma e conteúdo, trazendo temáticas existenciais e universais, como a morte e o sentido da vida, características inerentes à Terceira Fase Modernista, em que há espaços para questionamentos sobre a existência humana, a solidão e a finitude.


B

O poema é marcado por uma postura revolucionária, irreverente e experimental, rompendo com as normas estéticas do passado, especialmente o parnasianismo e o simbolismo, em busca de uma linguagem brasileira autêntica, moderna e livre, características típicas da Primeira Fase Modernista.


C

O autor salienta uma preocupação com o “fazer poético” ao associar prosa e poesia em um poema que espelha um gênero jornalístico, a notícia, aproximando-se dos temas universais das tradições da literatura ocidental, com caráter mais reflexivo e existencial, embora mantendo a inovação da Primeira Fase do Modernismo brasileiro.


D

O texto se enquadra na Segunda Fase do Modernismo brasileiro que se destaca especialmente na prosa. Ele surge como uma resposta madura à realidade social do Brasil, com foco nas desigualdades, nos problemas sociais e nas condições humanas fora dos grandes centros urbanos, imbricando elementos da prosa e da poesia, caraterística da chamada prosa poética.


E

O autor mistura gêneros e registros ao apresentar a própria ideia do poema como recorte da realidade, rompendo com a arte pura e incorporando fragmentos do mundo real na poesia, ao mesmo tempo em que explora, com mais profundidade, a realidade social e humana, sem perder a força expressiva, característica que enquadra o poema na Segunda Fase da poesia modernista brasileira.