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Para responder às questões 26 e 27, considere o comentário reproduzido a seguir.
O reconhecimento da norma culta real não deve servir de base para um novo tipo de prescrição e repressão linguísticas. É preciso adotar a posição do convívio democrático e tranquilo entre as formas tradicionalmente padronizadas e as formas inovadoras já incorporadas à atividade linguística dos falantes urbanos. Não vamos praticar uma prescrição às avessas: rejeitar as formas tradicionais para aceitar exclusivamente as inovadoras. Na prática linguística falada e escrita, existe lugar para todas elas. O importante é abandonar de vez a noção irracional de que as formas inovadoras constituem erros a ser evitados. É inútil tentar combater supostos “erros” que já se fixaram nas variedades urbanas de prestígio, inclusive na nossa melhor produção literária desde o Romantismo.
BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.
O professor Acraseandro decidiu preparar uma aula sobre a diferença entre o “a” artigo e o “a” preposição e, em decorrência, discutir sobre o uso do acento indicador de crase. Como texto motivador, entregou aos alunos a tirinha reproduzida a seguir.

Disponível em: https://cartum.folha.uol.com.br/. Acesso em: 21 ago. 2025.
Na concepção de funcionamento da língua apresentada no comentário que serve de base para esta questão, o professor Acraseandro, ao discutir o uso do “a” artigo e do “a” preposição, partindo da situação apresentada na tirinha, deve
defender que considerar o uso da crase e suas exceções como um projeto ambicioso resulta do fato de que esse uso é complexo e exclusivo de falantes com alto grau de escolaridade, seja na modalidade oral, seja na escrita; portanto, ensinar o uso do acento grave é reproduzir uma visão elitista do ensino de língua portuguesa.
considerar que enxergar o uso do acento grave e suas exceções como um projeto ambicioso resulta do fato de que esse uso é considerado complexo e é exclusivo da escrita, não havendo correspondente nos sons da língua portuguesa falada no Brasil; portanto, trata-se de um fenômeno a ser ensinado por meio da leitura de produções escritas monitoradas.
orientar que o exercício da oralidade seria o procedimento ideal para o ensino da diferença entre artigo e preposição e sua relação com o uso do acento grave, uma vez que há uma diferença audível, no português falado no Brasil, entre a pronúncia do “a” preposição e do “a” artigo.
explicar que a dificuldade de se dominar o uso do acento grave e suas exceções é resultado da baixa qualidade do ensino de escrita oferecido aos estudantes e que não há relação entre essa dificuldade e as questões linguísticas inerentes à língua portuguesa falada no Brasil.
concordar que dominar o uso do acento grave é um empreendimento ambicioso para qualquer falante da língua portuguesa no Brasil e que, por isso, insistir na obrigatoriedade do uso do acento grave, quando da fusão da preposição com o artigo, é uma visão do senso comum a ser banida da escrita, por meio de uma ruptura com a tradição gramatical.