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Considere a situação a seguir. Em uma escola, na turma do...

Considere a situação a seguir.


Em uma escola, na turma do 2º ano do Ensino Médio, o professor de língua portuguesa e literatura selecionou o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, para trabalhar com a sua turma ao longo do bimestre. Para isso, o docente adotou os seguintes procedimentos:


● dividiu a turma em 10 grupos, com 4 componentes;

● dividiu os capítulos da referida obra entre os grupos (nove grupos ficaram com 15 capítulos e um grupo com 13);

● orientou que cada grupo produzisse, como tarefa para casa, resumos dos capítulos sorteados;

● solicitou que cada grupo produzisse uma linha do tempo do período histórico em que o romance foi escrito, destacando fatos políticos, datas importantes e características do realismo brasileiro;

● realizou leitura breve de trechos da obra em sala de aula para treinar análise sintática e linguagem denotativa; e

● aplicou uma prova com questões objetivas sobre as características da escola literária, dos dados biográficos do escritor, dos fatos políticos e de sintaxe do período composto;

Não foi possível promover a leitura integral da obra em sala de aula, nem a discussão interpretativa coletiva.


Considerando a discussão sobre letramento literário desenvolvida pelo pesquisador Rildo Cosson, na obra Letramento Literário: teoria e prática (2006), conclui-se que, ao promover a leitura de fragmentos da obra,


A

o uso do texto literário como recurso didático para ampliar o vocabulário e a memorização de informações históricas e biográficas, o docente esvaziou o potencial formativo da literatura. Essa prática reduziu a literatura a documento histórico e desconsiderou a fruição estética, que é o elemento essencial do letramento literário.


B

o uso do texto literário como pretexto para o ensino de gramática e a memorização de informações históricas e biográficas, o docente não possibilitou a formação do leitor literário. Ele ignorou a multiplicidade subjetiva do estudante, apesar de o aluno ter vivenciado a experiência estética e formal do texto artístico.


C

o uso do texto literário como pretexto para ensino de gramática e a memorização de informações históricas e biográficas, o docente não possibilitou que o aluno vivenciasse a experiência estética do texto literário. Essa prática não articula leitura integral, fruição e reflexão crítica, inviabilizando, assim, a formação do leitor crítico que o letramento literário busca desenvolver.


D

o uso do texto literário como recurso didático para o ensino da linguagem denotativa e a memorização de informações históricas e biográficas, o docente privilegiou a biografia do autor e o contexto sociopolítico. Ele desconsiderou a especificidade estética da estrutura literária, que é o único elemento necessário para o processo formativo no letramento literário.


E

o uso do texto literário como pretexto para ensino de gramática e a memorização de informações históricas e biográficas, o docente não oportunizou a formação crítica do leitor. Ele desconsiderou os recursos formais e linguísticos que distinguem o texto literário do texto não literário, elementos essenciais do letramento literário.