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Conceição Evaristo: literatura como vingança simbólica contra a exclusão
Em uma das mesas mais concorridas da Flip 2025 (Festa Literária Internacional de Paraty), a consagrada autora Conceição Evaristo afirmou que a literatura ajuda a construir um outro imaginário para as mulheres negras. “Era para a gente continuar no lugar da subalternidade, mas a literatura nos coloca num outro lugar”, disse a autora, que participou da mesa “Anotações de um Brasil que arde”, na Casa República. A mesa teve mediação da escritora Lilia Guerra, autora de “O céu para os bastardos”.
Mineira de Belo Horizonte, Conceição emocionou o público ao falar sobre como a literatura pode ser transformadora, inclusive como uma espécie de vingança metafórica. “Quando eu digo hoje que vou para a Casa de Alaíde, eu estou dizendo que eu vou para um evento na Academia Mineira de Letras. Quando a minha mãe dizia que ia para a casa de Alaíde, ela estava se referindo à casa da patroa dela”, contou.
Casa de Alaíde, como explicou Conceição Evaristo, é uma referência à escritora Alaíde Lisboa, que foi membro da Academia de Letras de Minas Gerais. “Essa modificação dos papéis, essa modificação dos lugares que podem ser ocupados – e isso a gente vai construindo ao longo da história – é uma vingança que a vida literária produz”, completou Evaristo.
Ao longo da conversa, a escritora também destacou a multiplicidade de atuações das mulheres negras na sociedade brasileira. “As mulheres negras são enfermeiras, são médicas, são professoras, são escritoras, são políticas, são cozinheiras, são lavadeiras, são sambistas. E tudo isso a gente faz com muita competência. Então, o lugar que a gente pode ocupar é o lugar diverso, como qualquer outra pessoa branca pode ocupar”.
Conceição Evaristo, 78 anos, é reconhecida por transitar por temas como memória, ficção e poesia, com foco na vivência e na experiência da população negra no Brasil. Ela é autora de obras como Ponciá Vicêncio e Olhos D’água.
(Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/matheus-leitao. Acesso em: setembro de 2025. Adaptado.)
No trecho “Casa de Alaíde, como explicou Conceição Evaristo, [...]” (3º§), a conjunção “como” tem sentido de:
Causa.
Explicação.
Comparação.
Conformidade.