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Apêndice
01 Nesta história, o facto de se melhorar as condições do trabalho visa tão-só um incremento de produção. É melhor do
02 que nada, mas está muito aquém da verdadeira utilidade daquilo que é inútil: “também Georges Bataille se perguntou, em El
03 limite de lo útil, sobre a necessidade de imaginar uma economia atenta à dimensão do antiutilitarismo [...].
04 O erro está muito próximo da inutilidade e ambos têm um papel fulcral na criatividade. Não precisarei de salientar este
05 ponto que já foi muito debatido, mas sublinho a convicção de que as coisas mais importantes da vida não são utilitárias:
06 desprezamos quem faz um gesto por lucro ou benefício e não pelo gesto em si, ou por amizade ou amor. O que sentiríamos se
07 um amigo confessasse que só conversa conosco porque lhe pagam para isso? Ou que uma mãe confessasse ao filho que apenas
08 o educa e trata bem de modo a ter alguém para a amparar na velhice? É na inutilidade que está o altruísmo e aquilo que o ser
09 humano considera naturalmente mais nobre.
CRUZ, Afonso. Vamos comprar um poeta. Porto Alegre: Dublinense, 2020, p. 82-83.
Considerando a regência dos verbos constantes do primeiro parágrafo, aponte a alternativa CORRETA.
Inexistem verbos de ligação nesse trecho.
O verbo visar, nesse contexto, é transitivo indireto.
A forma verbal “perguntou” tem dois complementos.
Em tal trecho, “melhorar” e “imaginar” têm regência diferente.