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“e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de uma...

Texto para as questões de 1 a 6.


Instruções para dar corda no relógio


Lá no fundo está a morte, mas não tenha medo. Segure o relógio com uma mão, pegue com dois dedos o pino da corda, puxe‑o suavemente. Agora se abre outro prazo, as árvores soltam suas folhas, os barcos correm regata, o tempo como um leque vai se enchendo de si mesmo e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.

Que mais quer, que mais quer? Amarre‑o depressa a seu pulso, deixe‑o bater em liberdade, imite‑o anelante. O medo enferruja as âncoras, cada coisa que pôde ser alcançada e foi esquecida começa a corroer as veias do relógio, gangrenando o frio sangue de seus pequenos rubis. E lá no fundo está a morte se não corremos, e chegamos antes e compreendemos que já não tem importância.


CORTÁZAR, Júlio. Histórias de Cronópios e de famas. São Paulo: Editora Civilização Brasileira, 1994, p. 33‑34 (com adaptações).

“e dele brotam o ar, as brisas da terra, a sombra de uma mulher, o perfume do pão.”


Nesse trecho do texto, predomina a figura de linguagem denominada


A

anacoluto, pois há certa descontinuidade na ideia da frase.


B

sinestesia, pois as palavras aguçam os sentidos.


C

quiasmo, pois há uma espécie de gradação que vai e vem.


D

disfemismo, pois a escolha das palavras é dura, insensível.


E

catacrese, pois foi empregada uma metáfora cujo valor original já se perdeu.