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O “Manifesto antropófago” (Oswald de Andrade) propõe a incorporação crítica de matrizes culturais externas por digestão simbólica, gesto que Haroldo de Campos reformula como “transcriação”, enfatizando a produtividade poética da apropriação. No plano analítico, distinguir intertextualidade, relação entre textos por alusão, citação, paráfrase, paródia ou ressonância implícita — de interdiscursividade — articulação entre formações discursivas heterogêneas (literária, histórica, antropológica, midiática), é crucial para identificar o tipo de circulação de sentidos, o regime de autoridade e as condições de produção que organizam o gesto antropofágico. Ao examinar tais camadas, o crítico deve mapear redes referenciais, deslocamentos de ethos e cruzamentos entre campos simbólicos diversos. Assinale a alternativa correta.
A intertextualidade, por operar em nível estritamente formal, não admite alusões difusas ou ecos temáticos, restringindo-se à citação identificável segundo critérios filológicos rígidos.
A interdiscursividade reduz-se à paráfrase estilizada de modelos prévios, pois seu foco recai no reaproveitamento lexical de discursos de origem semelhante, sem implicar cruzamentos entre campos sociais distintos.
A intertextualidade pode manifestar-se de modo explícito ou latente, enquanto a interdiscursividade envolve atravessamentos entre esferas de saber heterogêneas, produzindo deslocamentos de ethos e tensionamentos entre regimes discursivos diversos.
A interdiscursividade exige necessariamente o emprego de metalinguagem técnica especializada, sendo incompatível com práticas literárias que operam por alegoria, fabulação ou experimentalismo formal.
A intertextualidade, ao instaurar dependência entre textos, anula por princípio a autoria, transformando todo gesto criativo em reprodução integral de matrizes anteriores.