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Ao compreendermos que a cultura se constitui como um tecido de práticas simbólicas nas quais os sujeitos se inscrevem por meio de formas enunciativas socialmente reconhecíveis, torna-se evidente que os gêneros do discurso não se reduzem a modelos de composição textual. Considerando essa reflexão, é adequado afirmar que:
Os gêneros discursivos, ao se deslocarem entre esferas públicas e privadas, conservam seus traços composicionais fundamentais, mas sua função enunciativa pode ser transformada em razão das diferentes posições de sujeito e dos contratos de interlocução que reorientam sua interpretação.
A recorrência de determinadas formas discursivas em contextos institucionais evidencia a funcionalidade pragmática dos gêneros, ainda que sua adaptação a novas esferas de circulação dependa de um recalibramento temático, não necessariamente de uma reconfiguração de suas condições enunciativas.
A vinculação entre gênero e função social reside na fixação dos elementos composicionais que tornam o enunciado previsível e, por isso, funcional em ambientes de controle comunicativo, como os jurídicos e administrativos, onde a estabilidade das formas assegura a neutralidade dos sentidos.
A relação entre gênero e esfera de atividade deve ser entendida em termos de adequação formal e estilística, sendo a função social do gênero determinada pela sua capacidade de manter-se reconhecível em diferentes situações comunicativas, independentemente de sua proveniência histórico-discursiva.