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O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 21 a 28.
Quais cadeiras você ocupa?
Sempre imaginamos certas cadeiras como símbolos de desejo ou conforto, mas, ao longo da vida, ocupamos cadeiras em um sentido mais amplo. Elas indicam lugares sociais, posições e identidades que assumimos, muito além da ergonomia ou do apoio lombar que possam oferecer.
Quando criança, eu me fascinava pelas cadeiras que via na televisão: as dos apresentadores do Jornal Nacional, as dos políticos em Brasília, a do banco de reservas do meu Corinthians e até a do confessionário do BBB. Todas representavam espaços que eu imaginava ocupar e que, de alguma forma, revelavam quem eu era ou queria ser.
Também lembro do banquinho infantil dos carrinhos de supermercado: desconfortável, difícil de sentar, mas simbólico. Estar ali ainda dizia ao mundo que eu era uma criança e, ao mesmo tempo, me dava uma visão "privilegiada" dos corredores — outro modo de experimentar identidades.
Hoje percebo que a vida toda é uma espécie de dança das cadeiras. Competimos por espaços na família, nos relacionamentos, no trabalho e até no transporte. E enquanto penso nisso, sentado em mais uma cadeira do cotidiano, percebo que sempre haverá alguém esperando para ocupar o lugar que deixamos.
Texto adaptado
SILVA, Gustavo Roberto da. Quais cadeiras você ocupa? In: Portal de Livros Abertos da USP. São Paulo: Universidade de São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/view/1 512/1378/5380 . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considere o seguinte excerto do texto:
"Quando criança, eu me fascinava pelas cadeiras que via na televisão: as dos apresentadores do Jornal Nacional, as dos políticos em Brasília, a do banco de reservas do meu Corinthians e até a do confessionário do BBB."
Com base no trecho e nos estudos sobre variação linguística e níveis de linguagem, assinale a alternativa que apresenta a análise adequada quanto à modalidade de uso da língua e aos efeitos de sentido produzidos.
A combinação entre marcas de oralidade e construções normativas no excerto evidencia um nível de linguagem informal popular, o que desqualifica o texto como pertencente à esfera culta de uso da língua.
O uso da expressão "me fascinava" exemplifica um desvio gramatical que compromete a norma-padrão, sendo próprio de um registro coloquial, o que inviabiliza seu uso em textos de caráter reflexivo ou dissertativo.
O texto apresenta características do nível padrão da linguagem, mas com traços de subjetividade e estilo pessoal, revelando um uso culto e expressivo da língua, compatível com situações de comunicação escrita não técnica.
A menção a elementos culturais populares como o "confessionário do BBB" e o "meu Corinthians" compromete a neutralidade linguística do texto, demonstrando inadequação quanto ao nível culto exigido em contextos formais.