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A leitura em ambientes virtuais "exige" do leitor...

O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 16 a 26.


Estratégias didáticas para o ensino de leitura


O ensino da leitura, na contemporaneidade, enfrenta o desafio de articular práticas tradicionais de formação do leitor com as exigências impostas pelos ambientes digitais, marcados pela multiplicidade de linguagens, suportes e modos de interação. Ler, hoje, implica não apenas decodificar palavras, mas interpretar textos híbridos, que combinam escrita, imagens, sons, hiperlinks e diferentes formas de organização da informação. Nesse cenário, as estratégias didáticas assumem papel central na construção de competências leitoras compatíveis com a complexidade das práticas sociais de leitura.

Antes da leitura, a mediação docente deve promover a ativação de conhecimentos prévios, a antecipação de sentidos e a análise dos elementos que compõem a materialidade do texto, como título, imagens, organização gráfica e recursos visuais. Essas ações contribuem para que o leitor formule hipóteses, estabeleça expectativas e compreenda, desde o início, as condições de produção e circulação do texto. Trata-se de um momento essencial para situar a leitura em seu contexto sociocomunicativo.

Durante a leitura, as estratégias voltam-se para o acompanhamento da progressão temática, a identificação das ideias centrais, a análise dos mecanismos de coesão e a interpretação das relações estabelecidas entre diferentes linguagens. O leitor é levado a monitorar sua própria compreensão, a retomar trechos, a confirmar ou reformular hipóteses e a articular informações explícitas e implícitas. Nesse processo, o professor atua como mediador, orientando percursos interpretativos sem substituir a atividade cognitiva do aluno.

Após a leitura, as práticas devem favorecer a sistematização dos sentidos construídos, por meio de sínteses, debates, comparações entre textos, produção de respostas e retextualizações. Esse momento amplia a compreensão e possibilita a reflexão crítica sobre o conteúdo, a linguagem e os efeitos de sentido produzidos. Ao mobilizar diferentes gêneros e suportes, o trabalho pós-leitura contribui para que o estudante compreenda a leitura como prática social situada, vinculada a finalidades específicas.

No contexto dos multiletramentos, as estratégias didáticas para o ensino da leitura precisam considerar as transformações provocadas pelas tecnologias digitais. A leitura em ambientes virtuais exige do leitor habilidades de navegação, seleção de informações, avaliação da confiabilidade das fontes e articulação de conteúdos dispersos em diferentes espaços. Assim, formar leitores competentes implica prepará-los para lidar com a sobrecarga informacional e com a diversidade de discursos que circulam na sociedade contemporânea.

As estratégias didáticas, portanto, não se configuram como procedimentos isolados, mas como práticas integradas a uma concepção de leitura como atividade cognitiva, discursiva e socialmente situada. Ao planejar o ensino da leitura de forma intencional, progressiva e articulada às demandas dos novos contextos comunicativos, o professor contribui para a formação de sujeitos críticos, capazes de interpretar, selecionar, avaliar e produzir sentidos em diferentes esferas da vida social (COSCARELLI, 2021).


COSCARELLI, Carla Viana (org.). Leitura: um processo cada vez mais complexo. Belo Horizonte: Autêntica, 2021.adaptado.

A leitura em ambientes virtuais "exige" do leitor habilidades de navegação, seleção de informações, avaliação da confiabilidade das fontes e articulação de conteúdos dispersos em diferentes espaços.


Em relação à regência verbal do termo destacado, é CORRETO afirmar que o verbo "exige":


A

funciona como intransitivo, uma vez que o segmento preposicionado "do leitor" encerra o sentido do enunciado e afasta a necessidade de outro complemento oracional.


B

apresenta regência variável, permitindo a substituição do trecho "do leitor" por complemento direto sem preposição, sem alteração relevante na estrutura sintática e no sentido global do enunciado.


C

admite apenas objeto direto, podendo ocorrer com ou sem a preposição "de" diante de termos que indiquem o agente responsável pelo atendimento da exigência feita no período.


D

apresenta transitividade direta e indireta, selecionando complemento preposicionado que recai sobre "leitor" e objeto direto composto representado pelas habilidades mencionadas no período.