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Um professor de PEB II propõe uma atividade de leitura comparada entre um excerto do romance O Guarani (1857), de José de Alencar, e um trecho do poema I-Juca Pirama (1851), de Gonçalves Dias. O objetivo é discutir as diferentes representações do indígena no "nacionalismo literário" do Romantismo brasileiro. Uma análise crítica a ser estimulada pelo professor, fugindo da superficialidade, deve conduzir os alunos à percepção de que:
Ambos os autores representam o indígena de forma idêntica, como um "bom selvagem" ingênuo e puramente idealizado, sem conflitos internos, servindo apenas como símbolo da nova nação.
Gonçalves Dias, em I-Juca Pirama, constrói um herói indígena (o Tupi) que, embora idealizado, é confrontado com o drama da honra e do sacrifício, apresentando uma complexidade trágica ausente no heroísmo estático de Peri, em Alencar.
Alencar utiliza o Tupi (Peri) e o Aimoré (Loredano) para provar a superioridade da raça branca europeia (representada por Cecília), que "civiliza" os selvagens, enquanto Gonçalves Dias foca apenas na bravura Tupi.
A figura do indígena em ambas as obras é um retrato etnográfico fiel e cientificamente preciso das tribos brasileiras do século XIX, sendo a principal fonte de estudo sobre o tema.