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TEXTO III - Base para responder às questões de 28 a 31.
Poema do nadador
A água é falsa, a água é boa.
Nada, nadador!
A água é mansa, a água é doida,
Aqui é fria, ali é morna,
A água é fêmea.
Nada, nadador!
A água sobe, a água desce,
A água é mansa, a água é doida.
Nada, nadador!
A água te lambe, a água te abraça
A água te leva, a água te mata.
Nada, nadador!
Senão, que restará de ti, nadador?
Nada, nadador
Fonte: LIMA, Jorge de. Antologia poética. Rio de Janeiro: ). Olympio, 1978, p. 60.
Na última estrofe, o poeta afirma: “Senão, que restará de ti, nadador? / Nada, nadador.” Nesse trecho, o valor argumentativo decorre da:
Omissão do sujeito elíptico, que permite várias interpretações para a frase final.
Contradição sintática entre os sentidos de sujeito e predicado.
Retomada sinonímica de expressões anteriores com valor conclusivo.
Disjunção coesiva que opõe o nadador ao meio aquático, sugerindo sua perda de identidade.
Ambiguidade semântica da palavra “nada”, que reforça uma tese implícita sobre sobrevivência.