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No trecho “Sou inquieto: ficar parado muito tempo me dá uma...

TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 01 A 10.


Nem tudo precisa ser apaixonante


Outro dia esbarrei novamente naquela frase que vive rodando pela internet: “faça só o que você ama”. E olha, eu até acho bonita, combina com um pôr do sol e uma música calma. Mas a vida real… bem, a vida real não funciona assim. E tudo bem.

Não estou falando só de trabalho, que já vem com seu pacote completo de expectativas e responsabilidades. Estou falando das pequenas coisas, aquelas que ninguém posta no feed. Vou contar algo que sempre surpreende quem me conhece: eu não gosto de ler.

Pois é. Não amo, não me acalma, não me deixa suspirando. Sou inquieto: ficar parado muito tempo me dá uma coceira invisível. Mas sabe o que acontece? Eu leio. Leio bastante, até. Porque eu descobri que não gostar de algo não significa que aquilo não tenha valor para mim.

E isso vale para várias atividades da minha vida: passar roupa, malhar todo dia, arrumar as coisas… nada disso entra na categoria “amo fazer”. Mesmo assim, eu faço. Porque algumas tarefas fazem diferença, mesmo sem serem emocionantes.

A gente vive uma época que insiste em transformar tudo em entusiasmo. Como se gostássemos de absolutamente tudo o que fazemos. Como se todo dia fosse incrível, produtivo e especial. Mas a verdade é bem mais simples: a rotina existe. E ela é feita de momentos animados, momentos neutros e alguns momentos que a gente só atravessa.

E está tudo certo com isso.

Nem toda tarefa precisa ser apaixonante para ser importante. Nem toda parte da vida precisa brilhar para valer a pena. Às vezes, a graça está justamente nesse equilíbrio entre o que encanta e o que apenas sustenta.

No fim das contas, entre fotos bonitas e dias comuns, está a nossa vida com suas obrigações, seus prazeres e também suas pequenas resistências. E tá tudo bem não amar tudo. O importante é seguir, sem a cobrança de transformar cada passo em espetáculo.


Autor: Marco Matos - GZH (adaptado).

No trecho “Sou inquieto: ficar parado muito tempo me dá uma coceira invisível”, a expressão coceira invisível é empregada com valor metafórico. No contexto do texto, essa expressão indica:


A

incômodo físico decorrente de alterações dermatológicas transitórias.


B

estado de ansiedade clínica associado a reações psicossomáticas.


C

sensação de impaciência e dificuldade de permanecer em repouso prolongado.


D

desconforto motor provocado por fadiga muscular acumulada.


E

reação involuntária a estímulos ambientais não identificados.