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SE EU MORRESSE AMANHÃ!


Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!


Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu pendera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!


Que sol! que céu azul! que doce n´alva

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito,

Se eu morresse amanhã!


Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã...

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!


AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Se eu morresse amanhã! In: BANDEIRA, Manuel (Org.). Antologia dos poetas brasileiros: poesia da fase

romântica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.


No poema, a insistência na ideia da morte e a exploração dramática das emoções estabelecem diálogo com discursos característicos do Romantismo, revelando


A

a construção de um eu lírico que enfatiza a subjetividade, o sofrimento e a idealização da morte, elementos típicos da estética romântica.


B

a negação das emoções individuais, substituídas por uma visão objetiva da existência


C

a valorização da razão acima dos sentimentos, recusando temas sentimentais.


D

a busca por impessoalidade e neutralidade, afastandose de qualquer expressão emocional.