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Leia o texto a seguir.
O jornal Folha de S. Paulo introduziu com o seguinte comentário uma entrevista com o professor Paulo Freire: “A gente cheguemos’ não será uma construção errada na gestão do Partido dos Trabalhadores em São Paulo.”
Os trechos da entrevista nos quais a Folha de S. Paulo se baseou foram os seguintes:
A criança terá uma escola na qual a sua linguagem seja respeitada (...) Uma escola em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua (...) Esses oito milhões de meninos vêm da periferia do Brasil (...) Precisamos respeitar a (sua) sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: “Mas para a tua própria vida tu precisas dizer ‘a gente chegou’, em vez de ‘a gente cheguemos’. Isso é diferente, ‘a abordagem’ é diferente”. É assim que queremos trabalhar, com a abertura, mas dizendo a verdade.
FOLHA DE S. PAULO. Entrevista com Paulo Freire. São Paulo, 18 out. 1990. Caderno Educação. [Adaptado].
No trecho, a posição de Paulo Freire sobre a linguagem evidencia que o ensino da língua deve
desconsiderar as variedades populares e impor a norma-padrão como única forma legítima de expressão.
valorizar as variedades populares e ensinar a norma dominante como ampliação de repertório, não como substituição da fala do aluno.
corrigir de modo imediato as construções não padrão para evitar que essas formas se cristalizem no uso dos falantes.
rejeitar as formas linguísticas que divergem da normapadrão, tratando-as como inadequadas em qualquer situação.