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No trecho da segunda estrofe “Não informa o momento da...

TEXTO I


Quando a foice da morte colhe a vida/ é que a gente percebe não ser nada


No silêncio do passo traiçoeiro

ela arranca de vez o coração

leva a alma deixando a solidão

não importa se é pobre ou tem dinheiro

é de todos caminhão derradeiro

qualquer rota recai sobre essa estrada

deixa toda alegria cancelada

e no peito uma dor sem ter medida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.


Não informa o momento da partida

desse trem da desgraça que aparece

de repente ele surge, o ser padece

sem nem mesmo acenar na despedida

quanto mais a dor vem, mais é doída

não tem corpo e parece tão pesada

cada lágrima vertida uma pancada

não tem volta, o caminho é só de ida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.


Não se atenta pra ritos de passagem

onde passa seu rastro é de caixão

não permite um adeus nem oração

dos infernos carregam uma mensagem

estendendo ataúdes na viagem

ao fechar os esquifes da morada

a saudade ainda fica apertada

quem morreu transferiu a dor sofrida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.


(Tiago Nascimento Silva. Conta, cordão e medalha. Quando a foice da morte corre a vida / é que a gente percebe não ser nada, p. 106. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023)

No trecho da segunda estrofe “Não informa o momento da partida / desse trem da desgraça que aparece”, o autor utiliza a metáfora do “trem da desgraça” para representar a morte. Com base na Ieitura integral da estrofe, a principal característica da morte ressaltada pelo eu lírico é a sua:


A

Previsibilidade, pois todos sabem que o fim chegará um dia.


B

Imaterialidade, uma vez que ela “não tem corpo” e não causa dor física.


C

Inevitabilidade e o caráter efêmero da existência humana.


D

Flexibilidade, permitindo que o ser humano se despeça antes da partida.


E

Justiça, por colher a vida de todos de maneira igualitária e suave.