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Sobre a análise rítmica e estruturação das rimas e estrofes...

TEXTO I


Quando a foice da morte colhe a vida/ é que a gente percebe não ser nada


No silêncio do passo traiçoeiro

ela arranca de vez o coração

leva a alma deixando a solidão

não importa se é pobre ou tem dinheiro

é de todos caminhão derradeiro

qualquer rota recai sobre essa estrada

deixa toda alegria cancelada

e no peito uma dor sem ter medida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.


Não informa o momento da partida

desse trem da desgraça que aparece

de repente ele surge, o ser padece

sem nem mesmo acenar na despedida

quanto mais a dor vem, mais é doída

não tem corpo e parece tão pesada

cada lágrima vertida uma pancada

não tem volta, o caminho é só de ida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.


Não se atenta pra ritos de passagem

onde passa seu rastro é de caixão

não permite um adeus nem oração

dos infernos carregam uma mensagem

estendendo ataúdes na viagem

ao fechar os esquifes da morada

a saudade ainda fica apertada

quem morreu transferiu a dor sofrida

quando a foice da morte colhe a vida

é que a gente percebe não ser nada.


(Tiago Nascimento Silva. Conta, cordão e medalha. Quando a foice da morte corre a vida / é que a gente percebe não ser nada, p. 106. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023)

Sobre a análise rítmica e estruturação das rimas e estrofes do texto, não é correto afirmar:


A

O poema é composto por Décimas (estrofes de dez versos). Essa é uma das formas mais nobres e desafiadoras da poesia popular nordestina, exigindo um alto nível de coesão temática.


B

O ponto central aqui é o uso do Mote: os dois últimos versos (quando a foice da morte colhe a vida / é que a gente percebe não ser nada) se repetem ao final de cada estrofe. Isso ancora o tema central e dá um senso de fatalidade ao ritmo.


C

O autor utiliza o esquema clássico das décimas, conhecido como ABBAACCDDC.


D

s versos são Decassílabos (10 sílabas poéticas), especificamente no estilo de Martelo, possui uma cadência galopante e heroica, onde a tônica geralmente recai nas sílabas 3, 6e 10, ou 4, 7 e 10, criando um ritmo constante que facilita a declamação ou o canto em cantorias de viola.


E

O tom do texto é entusiasta e existencialista. O texto foca na imprevisibilidade e na inevitabilidade da morte, nivelando pobres e ricos sob a mesma estrada, tal ideia é representada na predominância de rimas pobres.