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Com base nos textos V e VI e numa concepção de educação...

Texto V


Muitos deles [indígenas] ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados e nos buracos uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha; outros traziam três daqueles bicos, a saber, um no meio e os dois nos cabos. Aí andavam outros, quartejados de cores, a saber, metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, a modos de azulada. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha. Ali por então não houve mais fala ou entendimento com eles, por a barbaria deles ser tamanha, que se não entendia nem ouvia ninguém.


Texto VI


Definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós que está aqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. Ter diversidade, não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi só uma maneira de homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos.


KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Cia das Letras, 2019. p. 30.

Com base nos textos V e VI e numa concepção de educação alinhada aos princípios preconizados pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), nº 9.394/1996, mostra-se adequado


A

reforçar a cosmovisão eurocêntrica encontrada nos textos quinhentistas, ponderando que se trata de uma perspectiva datada.


B

explorar os recursos estilísticos que compõem as obras, enfatizando a qualidade estética dos diários de navegação e da literatura indígena.


C

desconstruir a lógica colonialista presente na literatura de informação, contrapondo-a à literatura jesuítica e à perspectiva indígena.


D

criar pontos de convergência entre a visão de mundo renascentista e os textos contemporâneos, sublinhando a autoria indígena.


E

estabelecer um movimento dialógico entre o chamado Quinhentismo e as literaturas indígenas, friccionando aspectos ético-estéticos.