Imagem de fundo

Leia o texto a seguir. Marcela amou-me durante quinze meses...

Leia o texto a seguir.


Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos. Meu pai, logo que teve aragem dos onze contos, sobressaltou-se deveras; achou que o caso excedia as raias de um capricho juvenil.

— Desta vez, disse ele, vais para a Europa; vais cursar uma Universidade, provavelmente Coimbra; quero-te para homem sério e não para arruador e gatuno. E como eu fizesse um gesto de espanto: — Gatuno, sim senhor; não é outra coisa um filho que me faz isto...

Sacou da algibeira os meus títulos de dívida, já resgatados por ele, e sacudiu-mos na cara. — Vês, peralta? é assim que um moço deve zelar o nome dos seus? Pensas que eu e meus avós ganhamos o dinheiro em casas de jogo ou a vadiar pelas ruas? Pelintra! Desta vez ou tomas juízo, ou ficas sem coisa nenhuma.


ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001.


No trecho “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”, o sentido produzido pelo enunciado resulta, sobretudo, de um mecanismo discursivo que permite ao leitor compreender que o amor está sendo tratado sob um efeito de sentido caracterizado pela


A

ironia, pois o narrador associa de forma crítica e implícita a duração do relacionamento ao montante financeiro envolvido.


B

polissemia, pois a palavra amor apresenta múltiplos sentidos possíveis, que são válidos no contexto do fragmento.


C

comparação, uma vez que o sentimento amoroso é comparado ao valor monetário recebido pelo narrador.


D

hipérbole, uma vez que o narrador relativiza a relação entre o sentimento amoroso e o valor financeiro para retratar o efeito expressivo do enunciado.