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Leia o texto a seguir e responda às questões 41 a 45.
TEXTO II
Poética
Manuel Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no
dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do
amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. Disponível em: https://www.revistabula.com/564-os-10-melhores-poemas-de-manuel-bandeira/
No poema Poética, de Manuel Bandeira, a escolha vocabular e a disposição dos versos revelam uma preocupação que vai além da mera comunicação de ideias. Nesse contexto, a linguagem adquire uma função predominante que, segundo Roman Jakobson, está relacionada a:
À função referencial, pois descreve fatos concretos sobre a literatura e o lirismo.
À função conativa, uma vez que busca convencer o leitor sobre o tipo de lirismo adequado.
À função poética, já que o foco está na organização expressiva da linguagem e nos recursos estilísticos.
À função fática, pois o poema busca manter o canal de comunicação aberto entre autor e leitor.