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Em uma escola pública de Ensino Fundamental, um professor...

Em uma escola pública de Ensino Fundamental, um professor de Língua Portuguesa percebe que seus alunos utilizam, em produções orais e escritas, marcas linguísticas próprias de suas regiões e comunidades, como variações de pronúncia, construções sintáticas e escolhas lexicais não coincidentes com a norma-padrão. Ao planejar suas aulas de gramática, o professor decide trabalhar, inicialmente, com exemplos reais da fala dos próprios estudantes, analisando essas formas à luz da gramática descritiva. Em seguida, apresenta as regras da norma-padrão, discutindo com a turma em quais contextos sociais e comunicativos seu uso é esperado, sem desvalorizar as variedades linguísticas dos alunos. Paralelamente, promove debates sobre preconceito linguístico, identidade cultural e respeito às diferenças.


Considerando o caso descrito e as concepções de abordagem normativa, descritiva e reflexiva no ensino da gramática, bem como as orientações dos documentos oficiais de ensino da língua portuguesa, como a Base Nacional Curricular (BNCC), assinale a alternativa CORRETA sobre a proposta adotada pelo professor.


A

A prática pedagógica articula procedimentos descritivos e normativos a uma perspectiva reflexiva de ensino, ao tomar os usos linguísticos reais como objeto de análise, contextualizar o ensino da norma-padrão e problematizar as relações entre língua, identidade e poder no espaço escolar.


B

A proposta enquadra-se predominantemente na abordagem normativa, uma vez que a apresentação sistemática da norma-padrão orienta o trabalho gramatical, ainda que se reconheça, de forma acessória, a existência de outras variedades linguísticas.


C

O enfoque dado às variedades linguísticas, embora socioculturalmente relevante, tende a relativizar o ensino da gramática normativa, podendo comprometer a consolidação de padrões linguísticos socialmente prestigiados.


D

A adoção da abordagem descritiva implica a equivalência funcional entre todas as formas linguísticas, o que dispensa a necessidade de ensino explícito da norma-padrão e de reflexão sobre adequação comunicativa.


E

A problematização do preconceito linguístico e da identidade cultural constitui um eixo formativo transversal, porém desvinculado do ensino de gramática, que deve se manter centrado na descrição e prescrição das estruturas linguísticas.