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No poema "O garrafeiro", a poetisa piauiense Graça Vilhena constrói um retrato lírico que ultrapassa a mera descrição de um ofício marginalizado. A análise da relação entre o eu lírico, a figura do garrafeiro e os objetos que compõem o cenário permite afirmar que a unidade de sentido do texto se fundamenta em:
Uma denúncia naturalista da exclusão social, que utiliza a analogia entre o homem e os detritos (garrafas e cacos) para ratificar o determinismo do meio sobre a condição humana.
Uma perspectiva ecocrítica, que valoriza o trabalho de reaproveitamento de resíduos sólidos como uma forma de preservação do ecossistema do rio Poti, conferindo ao garrafeiro um papel de agente ambiental.
Uma dialética entre a crueza da materialidade e a potência de ressignificação estética, na qual a "embriaguez de vazios" e o "arco-íris pobre" simbolizam a capacidade humana de transubstanciar a escassez em epifania e beleza.
Um lamento elegíaco fundamentado na fragilidade da vida, que utiliza a metáfora das garrafas de vinho tinto para contrastar a opulência do consumo burguês com a miséria absoluta do trabalhador.
Uma percepção objetiva da realidade urbana de Teresina, em que a menção a elementos locais (Poti, piabas, rútilos) serve apenas como um registro documental da rotina de coleta nas ruas da cidade.


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