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“Eu tinha um amigo; no front: uma moça maravilhosa, pelo...

• Texto para as questões de 1 a 4.


A guerra não tem rosto de mulher


Quando a guerra acabou, elas ficaram terrivelmente indefesas. Minha esposa, por exemplo, é uma mulher inteligente, mas tem uma visão negativa de mulheres militares, acha que elas iam para a guerra procurar noivo, que todas tinham casos por lá. E, apesar disso, na verdade, se a gente pode falar francamente, elas eram, em sua maioria, mulheres direitas. Puras, mas depois da guerra... Depois da sujeira, depois dos piolhos, depois das mortes...A gente queria algo bonito. Claro. Mulheres bonitas. Eu tinha um amigo; no front: uma moça maravilhosa, pelo que me lembro, apaixonou-se por ele, uma enfermeira, mas ele não casou com ela: deu baixa e encontrou para si uma outra, mas bonitinha. E é infeliz com a esposa. Agora, fica lembrando da outra, do seu amor de guerra, essa sim, seria uma amiga. Depois do front, ele a deixou porque tinha passado quatro anos vendo a moça com botas gastas e casaco acolchoado masculino.


ALEKSIÉVITCH, Svethana. A guerra não tem rosto de mulher. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p.119.

“Eu tinha um amigo; no front: uma moça maravilhosa, pelo que me lembro, apaixonou-se por ele, uma enfermeira [...]”


Sobre o trecho realçado anteriormente, é verdadeiro o que se afirma em:


A

A construção sintática “pelo que me lembro” é inadequada ao período em que se insere; devendo, portanto, ser trocada por cujo me lembro.


B

A preposição “pelo”, resultante de uma contração, é uma infração à estrutura sintática realçada, em decorrência do pronome relativo “que” ser antecedido por uma preposição com mais de uma sílaba.


C

Há uma infração às regras de colocação pronominal, uma vez que o trecho deveria priorizar a posição enclítica do pronome “me”, em decorrência do pronome “que”.


D

Há uma infração às regras de colocação pronominal em relação ao pronome “se”, uma vez que, em decorrência do tempo pretérito em que se encontra o verbo que o acompanha, sua posição deveria ser mesoclítica.


E

A posição enclítica do pronome “se” foi priorizada em decorrência da oração parentética não exercer força atrativa para a ocorrência da próclise.