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Travaglia (2003), em Gramática e interação: uma proposta...

Considere o texto a seguir para responder às questões de 26 a 35.


Texto 1


Como trabalhar a cultura digital integrada à área de Linguagens no Novo Ensino Médio


Uma das dez competências gerais da BNCC, a cultura digital se refere às mudanças provocadas pela tecnologia na forma como produzimos e consumimos cultura


Camila Cecílio


Sobre a tela iluminada, dois polegares se movimentam com agilidade ao digitar no teclado minúsculo do celular: “Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds? Flw :)”. Abreviações de “tudo”, “você” e “final de semana”, gírias e emojis – pequenas imagens ou ícones que substituem palavras na comunicação virtual – são algumas características da linguagem das redes sociais e de aplicativos de troca de mensagens instantâneas.

Tais formas de comunicação são cada vez mais comuns no dia a dia de jovens e adolescentes, tão antenados à cultura digital, uma das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que pauta o currículo do Novo Ensino Médio, que começa a ser implementado este ano. A partir dessa afinidade, o professor de Língua Portuguesa Luiz Fernando Lopes encontrou o gancho ideal para trabalhar variação linguística com seus alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Cônego Jonas Taurino, localizada na periferia de Olinda (PE), e ajudá-los a ter um bom desempenho na redação do último Enem.

Após explicar o conceito de que a língua é um organismo vivo e mutável, que se adapta às situações comunicativas, o docente apresentou exemplos de variações linguísticas e traçou um paralelo entre a linguagem formal e a informal. Em seguida, pediu aos alunos que abrissem um diálogo qualquer no WhatsApp ou no Instagram, os aplicativos mais utilizados pela turma, e transcrevessem no caderno a conversa exatamente como estava no celular.

A próxima etapa foi pegar um modelo de redação do Enem. Ao abordar cada uma das cinco competências avaliadas na prova, Luiz Fernando mostrou aos alunos que, na produção de texto para aquele contexto, a linguagem é completamente diferente daquela utilizada no universo da internet. “Quis chamar a atenção deles para o fato de que era preciso estarem atentos à redação, pois, se trouxessem para o texto recursos como abreviaturas, gírias e afins, iriam se prejudicar em relação à primeira competência da redação, que avalia o domínio da norma-padrão da língua portuguesa”, explica.


Adaptado de: https://novaescola.org.br/conteudo/21065/como-trabalhar-a-cultura-digital-integrada-a-area-de-linguagens-e-suastecnologias-no-novo-ensino-medio. Acesso em: 23 out. 2025.

Travaglia (2003), em Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática, elenca 4 tipos de atividades para o ensino de gramática, quais sejam: o uso, a reflexão, a teoria e a norma, argumentando, também, que o objetivo do ensino de língua portuguesa recai sobre o seu uso para a formação de usuários com boa competência comunicativa. Com base na leitura do texto, observa-se que o docente mencionado


A

trabalha em uma perspectiva normativa de ensino da língua portuguesa, prestigiando apenas a norma-padrão com a finalidade última da redação do Enem.


B

fundamenta-se em uma prática de ensino de língua portuguesa na qual a concepção de gramática adotada vincula-se às situações reais de uso, como as redes sociais e a redação do Enem. Para tanto, há a aplicação de exercícios prescritivos que não promovem a reflexão metalinguística sobre as práticas sociais da linguagem e desconsideram a natureza interacional da linguagem.


C

adota uma concepção de gramática na qual se ensina a língua portuguesa desconsiderando-se as questões contextuais de sua utilização, cujo foco recai somente na realização de exercícios normativos e descontextualizados, sem que haja trabalho de análise linguística com reflexão sobre o uso e a interação entre interlocutores.


D

orienta-se por uma prática docente que concebe o ensino de língua portuguesa como uma atividade reflexiva com a aplicação de situações reais de uso em diferentes esferas sociocomunicativas. Desse modo, privilegia-se a redação do Enem e desconsideram-se as variações linguísticas, mantendo a hegemonia da norma-padrão da língua portuguesa.


E

apresenta uma proposta de ensino na qual se ensina a língua portuguesa atentando-se às questões sócio-históricas da língua e suas formas de utilização com a reflexão sobre as esferas comunicativas em diálogo com aspectos teóricos e conceituais, com o objetivo de trabalhar tanto a variante informal das redes sociais quanto a norma-padrão requerida no Enem.