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O excerto “‘Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds?...

Considere o texto a seguir para responder às questões de 26 a 35.


Texto 1


Como trabalhar a cultura digital integrada à área de Linguagens no Novo Ensino Médio


Uma das dez competências gerais da BNCC, a cultura digital se refere às mudanças provocadas pela tecnologia na forma como produzimos e consumimos cultura


Camila Cecílio


Sobre a tela iluminada, dois polegares se movimentam com agilidade ao digitar no teclado minúsculo do celular: “Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds? Flw :)”. Abreviações de “tudo”, “você” e “final de semana”, gírias e emojis – pequenas imagens ou ícones que substituem palavras na comunicação virtual – são algumas características da linguagem das redes sociais e de aplicativos de troca de mensagens instantâneas.

Tais formas de comunicação são cada vez mais comuns no dia a dia de jovens e adolescentes, tão antenados à cultura digital, uma das dez competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que pauta o currículo do Novo Ensino Médio, que começa a ser implementado este ano. A partir dessa afinidade, o professor de Língua Portuguesa Luiz Fernando Lopes encontrou o gancho ideal para trabalhar variação linguística com seus alunos do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Cônego Jonas Taurino, localizada na periferia de Olinda (PE), e ajudá-los a ter um bom desempenho na redação do último Enem.

Após explicar o conceito de que a língua é um organismo vivo e mutável, que se adapta às situações comunicativas, o docente apresentou exemplos de variações linguísticas e traçou um paralelo entre a linguagem formal e a informal. Em seguida, pediu aos alunos que abrissem um diálogo qualquer no WhatsApp ou no Instagram, os aplicativos mais utilizados pela turma, e transcrevessem no caderno a conversa exatamente como estava no celular.

A próxima etapa foi pegar um modelo de redação do Enem. Ao abordar cada uma das cinco competências avaliadas na prova, Luiz Fernando mostrou aos alunos que, na produção de texto para aquele contexto, a linguagem é completamente diferente daquela utilizada no universo da internet. “Quis chamar a atenção deles para o fato de que era preciso estarem atentos à redação, pois, se trouxessem para o texto recursos como abreviaturas, gírias e afins, iriam se prejudicar em relação à primeira competência da redação, que avalia o domínio da norma-padrão da língua portuguesa”, explica.


Adaptado de: https://novaescola.org.br/conteudo/21065/como-trabalhar-a-cultura-digital-integrada-a-area-de-linguagens-e-suastecnologias-no-novo-ensino-medio. Acesso em: 23 out. 2025.

O excerto “‘Oi, td bem com vc? A gnt pode se ver no fds? Flw :)’” apresenta uma forma de linguagem utilizada em meio digital em redes sociais, e não atende à conformidade da norma-padrão. Nesse sentido, o ensino de língua portuguesa, em uma perspectiva interacionista e orientada pela prática da análise linguística na tríade uso-reflexão-uso, tem por função a compreensão da língua em suas questões sócio-históricas, abrangendo, assim, o seu contexto de uso. Desse modo, o ensino de língua portuguesa deve pautar-se


A

pela utilização da norma-padrão, excluindo-se toda e qualquer variante em não conformidade com a gramática da língua portuguesa brasileira.


B

em uma perspectiva interacionista de ensino que não contemple a situacionalidade de uso, apenas os interlocutores, sem observação ao preconceito linguístico.


C

pelo uso de uma abordagem normativa para o ensino de língua, desprezando qualquer elemento sócio-histórico, com a aplicação de exercícios descontextualizados.


D

por um ensino de língua que considere as variantes linguísticas bem como o estilo adequado à situacionalidade de seu uso, seus interlocutores e o combate ao preconceito linguístico.


E

na utilização da linguagem como instrumento de comunicação, com listas de exercícios estruturalistas em alternância com produção de textos, sem que haja a delimitação de um interlocutor.