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Leia o texto a seguir para responder as questões 01, 02 e 03:
1 Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verda-
2 de, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência
3 por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de re-
4 lance no espelho.
5 Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos pou-
6 cos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa
7 era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui
8 beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua pre-
9 sença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
10 Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é sau-
11 dade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não te-
12 nho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós
13 sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para
14 casa, Senhora, por favor.
Dalton Trevisan
Marque a alternativa que indica os sentimentos do “eu lírico”:
Há um visível sentimento de alívio por não ter mais que resolver as pequenas brigas que tinha com a “Senhora”, já que havia pequenas brigas e ela já não ajudava mais com os afazeres domésticos.
Desde a ausência da “Senhora”, o narrador sente-se deprimido e portanto, pede que a “Senhora” venha para casa.
O “eu lírico” percebe a falta da “Senhora” aos poucos, conforme os percalços do cotidiano aparecem.
A “Senhora” é descrita como alguém que, embora tenha desaparecido, volta à casa para mostrar ao “eu lírico” como fez falta.