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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5.
Alguns anos atrás, a psicolinguista americana Maryellen MacDonald começou a notar um fenômeno em suas salas de aula na Universidade de Wisconsin-Madison, onde é professora emérita de psicologia e ciências da linguagem. “Percebi que, logo antes do início da aula, quando, antes, os alunos costumavam conversar uns com os outros, agora todos estavam de cabeça baixa, olhando para o telefone”, diz MacDonald. “As salas de aula estavam realmente silenciosas, exceto por talvez uma ou duas pessoas. E isso me pareceu uma grande mudança”, lembra MacDonald. Essa constatação despertou em MacDonald o interesse no que muitos consideram uma mudança profunda nos jovens da chamada geração Z — que costuma ser definida como aqueles nascidos entre 1997 e 2012 — em relação às gerações anteriores: a erosão nas habilidades de comunicação.
Segundo MacDonald, atividades antes consideradas banais, como pegar o telefone para marcar uma consulta ou contestar uma conta, hoje são encaradas com dificuldade pelos adolescentes. Ela ainda destaca que há entre os jovens uma relutância de modo geral em se envolver em interações presenciais. E a deterioração na capacidade de comunicação é observada não apenas nas habilidades de fala, mas também de escrita. “E vem acompanhada da erosão dos hábitos de leitura”, afirma. “Ler e descobrir como a linguagem funciona é parte da habilidade de escrita. Uma consequência natural de ler menos é não ser tão bom em transmitir ideias em textos mais longos”.
Em gerações anteriores, a adolescência costumava ser um período de conexão social intensa, com novos amigos e namoros, marcos na transição para a vida adulta em uma idade em que o cérebro está em desenvolvimento. Mas pesquisas indicam uma redução nessas interações. Segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2022, apenas 36% dos jovens nos países membros relatavam interação presencial diária com amigos, queda acentuada em relação aos 53% registrados em 2006 e a maior redução entre todas as faixas etárias. MacDonald alerta que a deterioração na capacidade de se comunicar traz consequências emocionais e sociais. Ela cita estudos em que os mais jovens dizem que se sentem solitários em comparação com gerações anteriores.
Ela cita ainda a oferta abundante de entretenimento no telefone celular. “O celular é muito envolvente, ao passo que conversar com alguém exige mais esforço, o que pode gerar ansiedade”, observa MacDonald. Outro fator apontado pela pesquisadora é a superproteção por parte de muitos pais e mães, que buscam eliminar os desafios enfrentados pelos filhos e, assim, acabam reduzindo sua capacidade de lidar com problemas. “Há mais ansiedade entre os jovens. E os pais, em alguns casos, tomam a frente para realizar tarefas pelos filhos, como fazer uma chamada telefônica, porque os filhos ficam ansiosos ao fazê-las”, diz MacDonald. “É compreensível, você quer proteger seu filho. Mas, ao mesmo tempo, falar é uma dificuldade desejável”, destaca. “Dar aos filhos a oportunidade de fazer uma tarefa ligeiramente difícil, como ligar para o consultório médico e marcar uma consulta, algo que está provavelmente dentro da capacidade até dos adolescentes ansiosos, é bom para eles”.
Segundo MacDonald, habilidades linguísticas exigem prática, da mesma maneira que aprender um esporte ou a tocar um instrumento musical. “Os pais devem saber que seus filhos precisam dessa prática, não devem fazer as coisas por eles”. Mas a pesquisadora salienta que, além de desenvolver essas habilidades, também é preciso oferecer oportunidades para que os jovens possam conversar. Para MacDonald, a decisão de retirar os celulares das salas de aula deve facilitar não apenas o aprendizado, mas também a interação entre os alunos. “É uma combinação de oportunidades para praticar e, possivelmente, um pouco de aconselhamento para ajudá-los a progredir e superar o fato de que tiveram bem menos prática do que outras pessoas em seus primeiros anos de adolescência”, afirma.
(Jornal BBC News Brasil, 13.02.2026. Adaptado).
Analise as frases abaixo para responder à questão 3.
“Segundo” MacDonald, atividades antes consideradas banais, como pegar o telefone para marcar uma consulta ou contestar uma conta, hoje são encaradas com dificuldade pelos adolescentes.
O celular é muito envolvente, “ao passo que” conversar com alguém exige mais esforço, o que pode gerar ansiedade.
Os termos acima destacados possuem, respectivamente, o sentido de
conformidade e proporcionalidade.
explicação e ritmo.
observação e causalidade.
adição e contraste.