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Com base no texto, analise as afirmativas a seguir e...

O texto seguinte servirá de base para responder às questões de 1 a 7.


O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro.


Não há nada menos natural do que ler" para os seres humanos. É o que aponta a pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf — e isso não é, de forma alguma, algo ruim.

"A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana", diz a especialista americana. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes. "Ler literalmente muda o cérebro."

Mas o avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais têm modificado profundamente a forma como lemos.

Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida "por alto".

Essas mudanças de hábito têm preocupado cientistas porque, entre outros motivos, a transformação de novas informações em conhecimento consolidado nos circuitos cerebrais requer múltiplas conexões com habilidades de raciocínio abstrato que muitas vezes faltam na leitura digital.

Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler.

Se uma criança, em qualquer parte do mundo, estiver em um ambiente em que as pessoas a seu redor conversam umas com as outras, sua linguagem será naturalmente ativada.

O mesmo não acontece com a leitura, que implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.

É uma invenção relativamente recente — "é uma piscadela em nosso relógio evolutivo: mal tem 6 mil anos", diz Wolf.

"Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e compartilhar conhecimento", ressalta a neurocientista.

"Ler é um conjunto adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro. Permite fazer novas conexões entre regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção", completa.

Essa transformação começa com cada novo leitor.

"A habilidade de ler não existe dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro."

E isso abre portas para um novo mundo.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgk00njgeevo

Com base no texto, analise as afirmativas a seguir e identifique a alternativa incorreta.


A

Ao afirmar que lemos uma média de 100 mil palavras por dia, o texto sustenta que a quantidade de leitura na era digital garante o desenvolvimento das habilidades de raciocínio abstrato, sem considerar o suporte em que ocorre.


B

A metáfora 'piscadela em nosso relógio evolutivo' é empregada pela neurocientista para enfatizar a curta duração da escrita na história evolutiva humana, reforçando o caráter recente da leitura como invenção.


C

O texto relaciona o avanço das mídias digitais à preocupação dos cientistas, afirmando que a leitura fragmentada em telas prejudica a formação de circuitos cerebrais ligados à consolidação do conhecimento.


D

A ideia de que 'não há nada menos natural do que ler' para o ser humano baseia-se no fato de que a leitura não é inata, ao contrário da linguagem oral, que se desenvolve naturalmente em contato com um ambiente comunicativo.