

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Leia o Texto 1 para responder às questões de 01 a 03.
Texto 1
Eu não acredito na transparência do olhar sobre mim ou sobre os outros. O olhar puro e transparente pressupõe uma essência e uma capacidade que eu acredito que não sejamos portadores. Eu não poderia olhar para mim, porque não tenho uma essência e nem sou permanentemente algo. Eu sou uma soma de muitas coisas e posso ter, sobre mim, opiniões muito variadas e distintas.
Uma fábula indiana de que gosto muitíssimo narra que quatro cegos se aproximam de um elefante. O primeiro cego, que nunca tinha visto um elefante, diz, ao apalpar seu abdômen, que ele se parece com uma parede. Outro cego diz que ele se parece com uma corda, ao apalpar sua cauda. O terceiro diz que ele se parece com quatro colunas, ao apalpar suas pernas, e o último cego diz que o elefante se parece com uma espada, ao apalpar o marfim. Todos os quatro têm razão e todos eles deram uma visão parcial do elefante. A verdade não é a soma dos quatro, porque o elefante não é uma parede, corda, colunas e espada: é algo ainda além disso.
Eu não acredito na transparência. Porém, não acredito também que estamos condenados ao olhar opaco. Ao defender que não existe o olhar opaco, quero dizer que não estamos condenados ao narciso permanente de nós mesmos num espelho, como uma velha que pergunta ao espelho se haverá alguém mais bela do que ela, e que só aceita uma resposta ou ameaça quebrar o espelho, caso a resposta não seja aquela.
Eu não acredito na transparência e nem na opacidade do olhar. Eu acredito que o exercício crítico, a filosofia, a psicanálise, a história, a antropologia, a sabedoria, a idade, a experiência, a dor – todas essas coisas podem tornar o meu olhar cada vez mais translúcido.
Cada vez mais eu olho para os outros, mas nunca os verei. Cada vez mais eu olho para mim, mas nunca captarei, pois sempre me falta a experiência totalizadora, a última, a absoluta - que é morrer. Logo, nunca terei domínio de tudo, por que não sei ainda como é morrer. Como diz Woody Allen: “Não tenho nada contra a morte. Só não gostaria de estar presente.”
KARNAL, Leandro. Por que nunca chegaremos à verdade. In: Fronteiras do Pensamento. Site. Disponível em: https://www.fronteiras.com/leia/exibir/leandro-karnal-por-que-nunca-chegaremos-a-verdade. Acesso em: 26. nov. 2025. [Adaptado].
O texto apresentado desenvolve uma reflexão sobre a impossibilidade de um olhar plenamente transparente sobre si e sobre o outro, recorrendo a reflexões filosóficas, e a narrativas e referências culturais para construir seu ponto de vista. Considerando a tipologia e o gênero textual-discursivo, compreende-se que o texto
pertence ao gênero ensaio filosófico, caracterizado pela exposição sistemática e logicamente encadeada de conceitos, com estrutura rígida e terminologia técnica própria das ciências humanas, cujo objetivo é apresentar uma tese formal e conclusiva.
pertence ao gênero crônica reflexiva, pois parte de acontecimentos cotidianos, narrados em tom leve, para construir um comentário subjetivo sobre a percepção humana, mantendo foco na dimensão narrativa mais que no argumento.
realiza um movimento típico do ensaio contemporâneo: combina reflexão subjetiva, argumentação aberta, referências literárias e filosóficas e liberdade composicional, sem pretensão de sistematicidade, organizando-se mais como exploração de ideias do que como defesa rígida de uma tese.
configura-se como um artigo de divulgação científica, uma vez que traduz conceitos filosóficos complexos para o grande público, utilizando exemplos e analogias com o intuito central de transmitir conhecimento especializado de maneira acessível.