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Leia o Texto 3 para responder às questões 31 e 32.
Texto 3
Muitas e urgentes são as razões sociais que justificam o empenho da escola por um ensino da língua cada vez mais útil e contextualmente significativo. Sabemos quanto a incompetência atribuída à escola está ligada a conflitos com a linguagem (cf. Soares, 1987), a percepções distorcidas e míticas acerca do que seja o fenômeno linguístico (cf. Bagno, 1999, 2000). Sabemos quanto nos aflige a seletividade, a manutenção da estrutura de classes e a reprodução da força de trabalho (cf. Carraher, 1986) que, incondicionalmente, decorrem também dessa incompetência e dessas distorções. Sabemos que a educação escolar é um processo social, com nítida e incontestável função política, com desdobramentos sérios e decisivos para o desenvolvimento global das pessoas e da sociedade. Sentimos na pele que não dá mais para "tolerar" uma escola que, por vezes, nem sequer alfabetiza (principalmente os mais pobres) ou que, alfabetizando, não forma leitores nem pessoas capazes de expressar-se por escrito, coerente e relevantemente, para, assumindo a palavra, serem autores de uma nova ordem das coisas. É, pois, um ato de cidadania, de civilidade da maior pertinência, que aceitemos, ativamente e com determinação, o desafio de rever e de reorientar a nossa prática de ensino da língua.
ANTUNES, Irandé. Refletindo sobre a prática da aula de português. In ANTUNES, Irandé Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003.
À luz das teorias contemporâneas de ensino de língua portuguesa, a crítica que está presente no Texto 3 refere-se à predominância, em sala de aula, de uma prática pedagógica que reduz a língua à concepção de gramática
internalizada, por desconsiderar que o falante nativo possui o domínio intuitivo das regras de funcionamento de seu idioma materno.
reflexiva, por focar de modo excessivo na análise dos efeitos de sentido e na intencionalidade discursiva, em detrimento da estrutura formal.
descritiva, por se preocupar com a classificação dos fatos linguísticos por eles mesmos sem vínculo com o uso social da língua.
normativa, por focalizar no conjunto de regras prescritivas a serem memorizadas sem relacioná-las com o uso social da língua.