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TEXTO III (para as questões de 26 a 29)
Canção
Nunca vi ninguém viver
tão de rastro como eu vivo.
Comendo o que ninguém quer,
bebendo o que não tem gosto,
sempre de rosto para o chão,
como se o chão fosse o rosto
de quem me pudesse amar.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei.
Não sei se fico
ou passo.
(Cecília Meireles, em "Viagem")
A sinestesia ocorre quando há o cruzamento de diferentes sensações (olfato, visão, tato, audição, paladar) em uma mesma expressão. No poema, o verso que melhor exemplifica essa mistura de sentidos é
"Sempre de rosto para o chão".
"Atravesso noites e dias".
"Irmão das coisas fugidias".
"Não sei se fico ou passo".
"Bebendo o que não tem gosto".