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Leia o texto para responder às questões de 44 a 50.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna¹ e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati2 não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu3, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara4. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica5, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem, os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará6 as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará7, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru8 de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá9, as agulhas da juçara10 com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
(José de Alencar, Iracema. 2020)
Assinale a alternativa em que o primeiro termo destacado estabelece relação de subordinação entre orações e o segundo termo destacado estabelece relação de coordenação entre termos da oração.
Iracema, a virgem dos lábios de mel... (2.º parágrafo) / Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata... (6.º parágrafo)
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. (1.º parágrafo) / ... a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu... (4.º parágrafo)
... tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. (2.º parágrafo) / ... a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. (4.º parágrafo)
Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. (5º parágrafo) / ... nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. (3º parágrafo)
Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco... (6.º parágrafo) / Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome... (7.º parágrafo)