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Leia o Texto 2 para responder às questões de 04 a 06 .
Texto 2
Existe uma língua para ser usada de dia, debaixo da luz forte do sentido. Língua suada, ensopada de precisão. Que nós fabricamos especialmente para levar ao escritório, e usar na feira ou ao telefone, e jogar fora no bar, sabendo o estoque longe de se acabar. Língua clara e chã, ocupada com as obrigações de expediente, onde trabalha sob a pressão exata e dicionária, cumprimentando pessoas, conferindo o troco, desfazendo enganos, sendo atenciosamente sem mais para o momento. [...] Língua diária; isto é, língua à luz do dia. Mas no entardecer da linguagem, por volta das quatro e meia em nossa alma, começa a surgir um veio leve de angústia. As coisas puxam uma longa sombra na memória, e a própria palavra tarde fica mais triste e morna, contrastando com o azul fresco e branco da palavra manhã. À tarde, a luz da língua migalha.
LAURENTINO, André. A lua da língua. In: CAMPOS, Carmen Lúcia; SILVA, Nílson Joaquim da (coord.). Lições de gramática para quem gosta de literatura . São Paulo: Panda Books, 2007. p. 96-9.
No período “Mas no entardecer da linguagem, por volta das quatro e meia em nossa alma, começa a surgir um veio leve de angústia.”, o emprego da forma verbal “começa” permite pressupor que o(a)
linguagem cotidiana desaparece completamente no período da tarde.
precisão da linguagem aumenta à medida que o dia se aproxima do fim.
uso da língua passa a ser impossível em situações comuns de interação.
sentimento de angústia não estava presente da mesma forma antes desse momento.