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Com base no fragmento retirado do texto “Mas foi ali que...

Máfia do pau-brasil: esquema ilegal alimenta mercado global de violinos


Por Augusta Lunardi, Giacomo Zandonini e Natália Alana


01 A luz da tarde já entrava pelas janelas quando João Santos caminhou até um cofre de

02 metal numa sala estreita, tomada por pilhas de documentos, em um prédio do Ibama. Girou a

03 fechadura com a naturalidade de quem repete aquele gesto há anos. Do lado de dentro, não

04 havia dinheiro, armas ou joias — apenas dezenas de varetas de pau-brasil, já cortadas e prontas

05 para virar arcos de violino. Amarrados a cada lote, pequenos pedaços de papel traziam nomes

06 de empresas escritos ... mão. "Esse material vale milhões de reais; por isso, fica tão escondido",

07 disse Santos ... reportagem da Agência Pública.

08 Santos é analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais

09 Renováveis (Ibama) e, por questões de segurança, seu nome foi alterado e o local onde trabalha

10 não será identificado. O principal depósito do Ibama, onde estão armazenadas toneladas de

11 pau-brasil apreendidas nos últimos anos, permanece fechado a visitas externas. A reportagem

12 solicitou acesso, mas o órgão negou o pedido, alegando motivos de segurança.

13 O Ibama conta com apenas 900 agentes responsáveis por proteger o meio ambiente e

14 combater o tráfico de fauna e flora em todo o país. Em 2018, na chamada Operação Dó Ré Mi,

15 um pequeno grupo de fiscais passou a investigar o comércio de madeira avermelhada,

16 considerada há séculos a matéria-prima ideal para os arcos dos instrumentos de corda mais

17 prestigiados do mundo. Três anos depois da Dó Ré Mi, em cooperação com a Polícia Federal (PF),

18 deflagraram-se as operações Ibirapitanga I e II — que ajudariam ... desvendar um sofisticado

19 esquema de fraude envolvendo a comercialização do pau-brasil, uma das espécies mais

20 ameaçadas da Mata Atlântica.

21 A investigação da Operação Dó Ré Mi começou em Guaraná, distrito do município de

22 Aracruz, no Espírito Santo, a cerca de cem quilômetros de Vitória. Cercada por morros verdes,

23 cafezais e fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, a localidade pouco difere de tantas

24 outras comunidades rurais do interior brasileiro. Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear

25 toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas

26 em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos.

27 Uma única rua de Guaraná concentra algumas das principais empresas de arcos de violino

28 do Brasil: Arcos Brasil, Archets Brasil, Bogen Schaeffer e Horst John & Co. Em meio a casas

29 simples e oficinas discretas, ali se estabeleceu um polo que, nas últimas décadas, passou a

30 fornecer arcos e varetas para músicos, lojas de instrumentos e fabricantes especializados no

31 mundo todo. Ao contrário dos tradicionais ateliês europeus — muitos deles centenários,

32 conduzidos pelas mesmas famílias há gerações —, as empresas de Guaraná surgiram há bem

33 menos tempo. Ainda assim, abocanharam um dos segmentos mais exclusivos da indústria de

34 instrumentos musicais graças a uma vantagem que nenhum concorrente estrangeiro pode

35 alcançar: o acesso ao pau-brasil.

36 Ameaçado de extinção, o pau-brasil resiste hoje em fragmentos da Mata Atlântica,

37 sobretudo no sul da Bahia e no Rio de Janeiro, com pequenos núcleos também no Rio Grande do

38 Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em Alagoas e no Espírito Santo.

39 Na origem dessa história está Horst Ewald Günther John, conhecido em Guaraná apenas

40 como Horst John. Depois da Segunda Guerra Mundial, o comerciante alemão se estabeleceu no

41 Espírito Santo e passou a atuar na extração e na comercialização de madeira. Nos anos 1970,

42 enxergou uma oportunidade de ir além da exportação da matéria-prima ao começar a enviar

43 jovens da região à Alemanha para aprender, com mestres archetiers, a arte de fabricar arcos

44 para instrumentos de corda. Em 1979, fundou a Horst John & Company e, em poucos anos,

45 Guaraná tornou-se referência internacional.


(Disponível em: https://apublica.org/2026/07/pau-brasil-como-se-da-esquema-ilegal-da-madeira-que-nomeou-pais/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Com base no fragmento retirado do texto “Mas foi ali que fiscais passaram a rastrear toneladas de toras e varetas de pau-brasil extraídas ilegalmente de áreas protegidas e mantidas em depósitos sem documentação ou acobertadas por registros fraudulentos”, sobre os vocábulos sublinhados, analise a sentença abaixo:

O vocábulo “Mas” é uma conjunção coordenativa adversativa que estabelece uma relação de contraste com a informação apresentada anteriormente no texto, enquanto o vocábulo “e”, empregado entre “toras” e “varetas”, é uma conjunção coordenativa aditiva que liga termos de mesma função sintática (1ª parte). O vocábulo “ilegalmente” é um advérbio de modo que modifica a forma verbal “extraídas”, indicando a maneira como ocorreu a extração das toras e varetas de pau-brasil (2ª parte). O vocábulo “fraudulentos” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “registros” e exerce, no fragmento, a função sintática de predicativo do sujeito (3ª parte).

Quais partes estão corretas?


A

Apenas a 1ª parte.


B

Apenas a 3ª parte.


C

Apenas a 1ª e a 2ª partes.


D

Apenas a 2ª e a 3ª partes.