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Leia o trecho adaptado da Odisséia, de Homero, em que Ulisses, preso na caverna do ciclope Polifemo, procura escapar de uma situação desesperadora.
Quando Polifemo perguntou-lhe seu nome, Ulisses respondeu:
— Meu nome é Ninguém.
Mais tarde, depois de ser cegado por Ulisses e seus companheiros, Polifemo gritou por socorro. Os outros ciclopes aproximaram-se da caverna e perguntaram:
— Quem está lhe fazendo mal?
Polifemo respondeu:
— Ninguém está me matando por astúcia!
Ouvindo isso, os ciclopes concluíram que Polifemo não estava sendo atacado por pessoa alguma, atribuindo a sua queixa a algum castigo dos deuses, e foram embora, deixando-o sozinho.
A eficácia do estratagema de Ulisses decorre, sobretudo,
do emprego de uma metáfora convencional, em que “Ninguém” representa paradoxalmente a coragem dos invasores, sendo essa a interpretação assumida equivocadamente pelos demais ciclopes.
da homonímia entre o nome escolhido por Ulisses e uma possível alcunha, circunstância que impossibilita aos demais ciclopes identificar corretamente o agressor.
do jogo de palavras, que deliberadamente acaba por fornecer informações falsas aos demais ciclopes para que Polifemo evite demonstrar sua vulnerabilidade.
da ambiguidade lexical do termo “Ninguém”, que permite simultaneamente sua interpretação como nome próprio e como pronome indefinido, produzindo um equívoco comunicativo entre interlocutores distintos.
do emprego de um sujeito indeterminado na resposta de Polifemo, que impede a identificação sintática do agente da ação e compromete a compreensão da mensagem.