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Analise, a seguir, sob a perspectiva da pedagogia da variação linguística, a situação didática fictícia apresentada.
Descrição da aula
(contexto fictício)
• Público-alvo: 8º ano do Ensino Fundamental.
• Disciplina: Língua Portuguesa
• Professor: Marilda Gomes
• Conteúdo: exposição oral
• Atividade: apresentações de trabalhos pertencentes a um projeto de letramento interdisciplinar sobre “Os impactos do lixo ao meio ambiente” entre Língua Portuguesa e Ciências.
Descrição da aula:
A aula iniciou com a apresentação de um dos grupos de alunos que iriam apresentar. Para trabalharem a temática do projeto, além de lerem textos indicados pelos professores, os grupos ficaram responsáveis por visitar locais diferentes e observarem o descarte do lixo. Ciente disso, um aluno do primeiro grupo começou a apresentação relatando sobre a visita realizada a uma praça da cidade.
Aluno: — “A gente fomos lá na praça e vimos que os lixo tá tudo jogado no chão, porque os morador não colabora...”
A professora interrompeu o aluno no meio da frase, diante de toda a turma, para dizer:
— “A gente fomos não, João! Ou você diz ‘nós fomos’, ou ‘a gente foi’. E atenção à concordância: ‘os lixos estão’ e ‘os moradores não colaboram’. Não pode falar assim, o certo é usar o português correto. Fala de novo, do jeito certo, para continuar.”
Diante dessa situação, o aluno ficou envergonhado, hesitou, tentou reformular a frase e concluiu a apresentação de forma rápida, insegura e monossilábica.
No final da aula, a professora escreveu, no quadro, algumas frases com
“erros de concordância” presentes nas falas dos alunos, solicitou que eles escrevessem no caderno e corrigissem para o português correto que deve ser o único utilizado.
Fonte: arquivo pessoal.
Após analisar a metodologia utilizada pela professora Marilda no contexto fictício apresentado, pode-se afirmar que, à luz da pedagogia da variação linguística, defendida por estudiosos como Marcos Bagno:
o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora, à luz de um ideal de língua heterogênea, incentiva valorização das variedades linguísticas e considera a possibilidade de mostrar aos alunos adequações e inadequações de uso da língua em diferentes contextos comunicativos, a exemplo da apresentação oral do trabalho.
o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora alicerça-se em um dos erros teóricos cometidos por professores em sala de aula, ao imaginarem a escrita como ideal e a norma-padrão como uma variedade linguística.
o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora, embora respeite a identidade e variação linguística do aluno, desconsidera a possibilidade de mostrar aos estudantes adequações e inadequações de uso da língua em diferentes contextos comunicativos, a exemplo da apresentação oral do trabalho.
o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora peca apenas no fato de não considerar a ética necessária em sala de aula, uma vez que, embora seja necessário mostrar ao João que só existe uma forma correta de falar, não deveria tê-lo feito na frente de todos os seus colegas.
o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora, à luz de um ideal de língua homogênea, incentiva o preconceito linguístico ao desvalorizar as variedades linguísticas e ao desconsiderar a possibilidade de mostrar aos alunos adequações e inadequações de uso da língua em diferentes contextos comunicativos, a exemplo da apresentação oral do trabalho.