Imagem de fundo

Analise, a seguir, sob a perspectiva da pedagogia da...

Leia, a seguir, a letra da música “Cale-se” de Chico Buarque para responder à questão 41.

Cale-se

Chico Buarque

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga?

Tragar a dor, engolir a labuta?

Mesmo calada a boca, resta o peito

Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa?

Melhor seria ser filho da outra

Outra realidade menos morta

Tanta mentira, tanta força bruta

Pai (Pai), afasta de mim esse cálice

(Pai), afasta de mim esse cálice

(Pai), afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado

Se na calada da noite eu me dano

Quero lançar um grito desumano

Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordo

Atordoado, eu permaneço atento

Na arquibancada, pra a qualquer momento

Ver emergir o monstro da lagoa

Pai (Pai), afasta de mim esse cálice

(Pai), afasta de mim esse cálice

(Pai), afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

De muito gorda, a porca já não anda (cálice)

De muito usada, a faca já não corta

Como é difícil, (Pai) Pai, abrir a porta (cálice)

Essa palavra presa na garganta

Esse pileque homérico no mundo

De que adianta ter boa vontade?

Mesmo calado o peito, resta a cuca

Dos bêbados do centro da cidade

Pai (Pai), afasta de mim esse cálice

(Pai), afasta de mim esse cálice

(Pai), afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno (cálice)

Nem seja a vida um fato consumado (cálice,

cálice)

Quero inventar o meu próprio pecado (cálice,

cálice)

Quero morrer do meu próprio veneno (Pai)

(cálice, cálice)

Quero perder de vez tua cabeça (cálice)

Minha cabeça perder teu juízo (cálice)

Quero cheirar fumaça de óleo diesel (cálice)

Me embriagar até que alguém me esqueça

(cálice)

Fonte: http://letras.mus.br

Analise, a seguir, sob a perspectiva da pedagogia da variação linguística, a situação didática fictícia apresentada.

Descrição da aula

(contexto fictício)

• Público-alvo: 8º ano do Ensino Fundamental.

• Disciplina: Língua Portuguesa

• Professor: Marilda Gomes

• Conteúdo: exposição oral

• Atividade: apresentações de trabalhos pertencentes a um projeto de letramento interdisciplinar sobre “Os impactos do lixo ao meio ambiente” entre Língua Portuguesa e Ciências.

Descrição da aula:

A aula iniciou com a apresentação de um dos grupos de alunos que iriam apresentar. Para trabalharem a temática do projeto, além de lerem textos indicados pelos professores, os grupos ficaram responsáveis por visitar locais diferentes e observarem o descarte do lixo. Ciente disso, um aluno do primeiro grupo começou a apresentação relatando sobre a visita realizada a uma praça da cidade.

Aluno: — “A gente fomos lá na praça e vimos que os lixo tá tudo jogado no chão, porque os morador não colabora...”

A professora interrompeu o aluno no meio da frase, diante de toda a turma, para dizer:

— “A gente fomos não, João! Ou você diz ‘nós fomos’, ou ‘a gente foi’. E atenção à concordância: ‘os lixos estão’ e ‘os moradores não colaboram’. Não pode falar assim, o certo é usar o português correto. Fala de novo, do jeito certo, para continuar.”

Diante dessa situação, o aluno ficou envergonhado, hesitou, tentou reformular a frase e concluiu a apresentação de forma rápida, insegura e monossilábica.

No final da aula, a professora escreveu, no quadro, algumas frases com “erros de concordância” presentes nas falas dos alunos, solicitou que eles escrevessem no caderno e corrigissem para o português correto que deve ser o único utilizado.

Fonte: Arquivo do elaborador.

Após analisar a metodologia utilizada pela professora Marilda no contexto fictício apresentado, pode-se afirmar que, à luz da pedagogia da variação linguística, defendida por estudiosos como Marcos Bagno:


A

o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora, à luz de um ideal de língua heterogênea, incentiva valorização das variedades linguísticas e considera a possibilidade de mostrar aos alunos adequações e inadequações de uso da língua em diferentes contextos comunicativos, a exemplo da apresentação oral do trabalho.


B

o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora alicerça-se em um dos erros teóricos cometidos por professores em sala de aula, ao imaginarem a escrita como ideal e a norma-padrão como uma variedade linguística.


C

o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora, embora respeite a identidade e variação linguística do aluno, desconsidera a possibilidade de mostrar aos estudantes adequações e inadequações de uso da língua em diferentes contextos comunicativos, a exemplo da apresentação oral do trabalho.


D

o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora peca apenas no fato de não considerar a ética necessária em sala de aula, uma vez que, embora seja necessário mostrar ao João que só existe uma forma correta de falar, não deveria tê-lo feito na frente de todos os seus colegas.


E

o processo de ensino-aprendizagem conduzido pela professora, à luz de um ideal de língua homogênea, incentiva o preconceito linguístico ao desvalorizar as variedades linguísticas e ao desconsiderar a possibilidade de mostrar aos alunos adequações e inadequações de uso da língua em diferentes contextos comunicativos, a exemplo da apresentação oral do trabalho.