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Leia o poema “O poeta”, de Mia Couto, para responder às questões de 43 a 47:
O poeta não gosta de palavras:
escreve para se ver livre delas.
A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.
Quando,
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.
Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.
Com raiva,
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.
O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.
Escreve, talvez,
apenas enquanto dorme.
(Poemas escolhidos, 2016)
Geraldi (O texto na sala de aula) afirma que “O objetivo essencial da análise linguística é a reescrita do texto do aluno. Isso não exclui, obviamente, a possibilidade de nessas aulas o professor organizar atividades sobre o tema escolhido, mostrando com essas atividades os aspectos sistemáticos da língua portuguesa.”
Nesse sentido, aspectos sistemáticos da predicação poderão ser discutidos a partir das estruturas dos versos – “A palavra / torna o poeta / pequeno e sem invenção” e “Cada palavra é um vidro”, identificando-se estruturas similares, respectivamente, em:
A escola está discutindo o assunto. A escola deu o assunto por encerrado.
O caso parece mesmo insolúvel. O caso é muito complicado.
O júri considerou o réu inocente. O júri permanece indeciso.
A análise revelará falsos os pressupostos. A análise revelará os dados falsos.
A vítima jazia no asfalto, inconsciente. A vítima foi levada ainda inconsciente.