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No contexto do texto, a expressão “fragmentação da...

Texto:

Nos últimos anos, mudanças profundas nas formas

de trabalho têm alterado significativamente a relação

dos indivíduos com suas atividades profissionais.

A flexibilização dos vínculos empregatícios, aliada

5 à crescente instabilidade econômica, tem contribuído

para a ampliação dos sentimentos de insegurança e

incerteza entre trabalhadores de diferentes setores.

Ao mesmo tempo, observa-se uma valorização

crescente de experiências imediatas e prazerosas

10 fora do ambiente laboral. Em um contexto marcado

pelo consumo, muitos indivíduos passam a buscar

satisfação em atividades que proporcionem

sensações rápidas, como o entretenimento digital,

viagens e aquisição de bens. Essa dinâmica revela

15 uma dissociação entre o trabalho, frequentemente

percebido como obrigação, e o lazer, entendido como

espaço de realização pessoal.

Além disso, a cultura contemporânea tende a

reforçar a ideia de que o sucesso está associado

20 à capacidade de consumir e experimentar

constantemente novas formas de prazer. Nesse

cenário, o indivíduo alterna entre o papel de trabalhador,

submetido a pressões e responsabilidades, e o de

consumidor, orientado pela busca de satisfação

25 imediata.

Essa dualidade pode gerar consequências

psicológicas relevantes, como a sensação de vazio

e a fragmentação da identidade. Isso ocorre porque,

ao mesmo tempo em que o trabalho perde seu

30 significado existencial, o consumo não consegue,

por si só, preencher as expectativas de realização

pessoal.

Assim, a sociedade contemporânea apresenta

um paradoxo: embora ofereça múltiplas possibilidades

35 de satisfação, também intensifica sentimentos de

instabilidade e insatisfação, exigindo dos indivíduos

constantes adaptações às demandas sociais e

econômicas.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. Adaptado.

No contexto do texto, a expressão “fragmentação da identidade” refere-se à


A

capacidade de reorganizar continuamente a vida pessoal diante das mudanças nas relações profissionais.


B

dificuldade de construir uma percepção integrada de si diante da separação entre trabalho, consumo e realização pessoal.


C

necessidade de desempenhar diferentes funções profissionais em ambientes de trabalho flexíveis.


D

possibilidade de escolher livremente experiências de lazer e formas de consumo disponíveis na sociedade.


E

adaptação dos valores individuais às novas oportunidades produzidas pelas transformações econômicas.