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No trecho “...e imaginando QUE OS PAIS E AVÓS ESCREVIAM...

Leia o texto abaixo e responda às questões de 1 a 15.


ACABARAM COM A NOSSA LETRA



1____Faço as minhas compras no supermercado, pego o meu talão de cheques, vou preencher. A mocinha:

2____– Pode deixar que a máquina faz isso!

3____Fico uns segundos atabalhoado, olho para o cheque.

4____– Faço questão de eu mesmo preencher.

5 E preenchi.

6 A cena é corriqueira, não é? Mas ali, naquele momento, aquela mocinha estava me tirando o prazer de colocar a minha letra no cheque. Afinal, pensei eu naquele momento, é a única coisa que eu escrevo à mão: o cheque.

7____Você já notou que a gente não escreve mais nada? Nada! Acho que desde que saí da faculdade não uso a mão para tais finalidades. Estão aí todas as máquinas e cartões para tal uso.

8____E olha que aprender a escrever à mão, no meu tempo, era uma dificuldade. No curso primário a gente tinha aula de linguagem. Tinha o caderno de linguagem, que todos eram obrigados a comprar. A linha era subdividida em duas partes, sendo a de baixo menorzinha para caberem as letras baixas, como o “a” e o “o”, por exemplo. E quando pintava um “l” ou um “t”, tinha que ir até lá em cima. Assim, todo mundo ficava com a letra igual à da professora, que era perfeita, por sinal.

9____Com o passar dos anos e com o desuso, a minha letra foi ficando horrorosa. Nem eu mesmo entendia. Passei a só escrever em letra de forma. O tempo passou mais e mais e a letra de forma se foi deformando toda. Mas dava para o cheque. Agora, com a máquina de preencher cheque, lá se vai a minha letra. Com você anda acontecendo o mesmo?

10___Tenho certeza que, no futuro próximo, os alunos vão levar os notebooks para a sala de aula. A letra à mão será coisa pré-histórica. Imagino os novos alunos, quando já grandinhos, olhando as receitas dos médicos e imaginando que os pais e avós escreviam daquele jeito. Ou será que também os médicos vão ter uma maquininha para dar suas tortas receitas?

11___Fico triste ao constatar tudo isso. É como se uma parte de mim fosse embora. Uma parte trabalhada duramente durante anos e anos. (...)

12___Nos países mais metidos a besta (também conhecidos como Primeiro Mundo), os garçons já pegam o seu pedido com um minicomputador que leva imediatamente o seu pedido para o cozinheiro. Nem garçom vai escrever mais. (...)

13___E conta? Alguém ainda faz contas no papel? Será que nas escolas ainda ensinam raiz quadrada, com o aluno ali com a sua calculadora? Você deve saber que, nos vestibulares, já se admitem tais maquininhas.

14___Listinha de pecados para se confessar. Grava-se num gravadorzinho e enfia no ouvido do padre. Afinal os nossos pecados são sempre os mesmos. Principalmente o pecado da preguiça, que marcará nossas vidas neste século que está chegando. Em algarismos romanos, sei lá por quê.


(PRATA, Mário. In: “O Estado de São Paulo”, 12/11/1997.)

No trecho “...e imaginando QUE OS PAIS E AVÓS ESCREVIAM DAQUELE JEITO.” (parágrafo 10), pode-se afirmar que:


I. a oração destacada é introduzida por um pronome relativo.

II. o termo QUE é uma conjunção integrante.

III. o conectivo E tem o valor semântico de explicação.

IV. a única palavra acentuada segue a regra das oxítonas.


Estão corretas apenas:


A

I, II e III.


B

II, III e IV.


C

III e IV.


D

II e IV.


E

I e II.