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1 Se, na experiência de minha formação, que deve ser
permanente, começo por aceitar que o formador é o sujeito em
relação a quem me considero o objeto, que ele é o sujeito que
4 me forma e eu, o objeto por ele formado, me considero como
um paciente que recebe os conhecimentos-conteúdos-
acumulados pelo sujeito que sabe e que são a mim transferidos.
7 Nessa forma de compreender e de viver o processo formador,
eu, objeto, agora, terei a possibilidade, amanhã, de me tornar
o falso sujeito da “formação” do futuro objeto de meu ato
10 formador. É preciso que, pelo contrário, desde os começos do
processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora
diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar
13 e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. É nesse
sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos,
nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo
16 ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não há docência
sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das
diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de
19 objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem
aprende ensina ao aprender.
Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 22-3 (com adaptações).
De acordo com as ideias apresentadas no texto, julgue os itens subsecutivos.
A explicação apresentada no primeiro período para o processo de ensino-aprendizagem estabelece um paralelo entre o sujeito e o objeto da gramática, em uma sentença na voz passiva, em que o sujeito (o professor) é paciente da ação verbal e o objeto (o aluno) é aquele que sofre a ação de ser formado.