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Texto I – itens de 1 a 12
1 Escrevo porque tenho — sempre tive — uma
imaginação muito forte (o que não quer dizer
necessariamente rica, ou boa). Fui desses meninos que
4 sonhava acordado, que inventava histórias a respeito de
tudo. Quinze anos de psicanálise me fizeram entender
também o quanto construímos de ficções, de mentiras, para
7 nos proteger do real, o quanto temos medo do mundo tal
qual ele é. O mais saudável, me parece, é encarar o real e
guardar as ficções para os livros, desaguá-las ali, fazer
10 delas matéria de sonho e de prazer. É um trabalho
estafante, muitas vezes decepcionante, em que lidamos
todo o tempo com o fracasso — e por isso o escritor está
13 sempre a se corrigir, a escrever e a reescrever, está sempre
insatisfeito. O fracasso é a matéria-prima da literatura, mas
é meio escandaloso dizer isso num mundo governado pela
16 idéia do sucesso. Escrevo, portanto, para fracassar, isto é,
para testar meus limites, a força de meus sonhos (...), para
desafiar o real, provocá-lo, colocá-lo à prova, para tentar
19 encontrar sentidos, ou construir sentidos onde, em geral,
existe apenas anarquia e escuridão. Não sou um pessimista:
acho que a vida é muito rica justamente porque é
22 anárquica. A maior exigência que se faz a um escritor é
pedir que ele suporte sua própria liberdade interior.
Sem liberdade interior ninguém consegue escrever, mas
25 a liberdade interior leva a um enfrentamento com o caos
que define o real. Por isso não se pode ceder ao medo,
embora todos tenhamos medo sempre.
Entrevista de José Castello. Cult, jun./2001, p. 8 (com adaptações)
Com referência à tipologia textual, ao emprego das classes de palavras e à significação vocabular, no texto I, julgue os itens subseqüentes.
A expressão nominal “as ficções” (l.9) contrapõe-se a outra expressão também de caráter substantivo, “o real” (l.8).