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As questões 42 a 46 tomarão por base o seguinte poema de Vinícius de Morais:
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A MIRAGEM
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01 Não direi que a tua visão desapareceu dos meus olhos sem vida
02 Nem que a tua presença se diluiu na névoa que veio.
03 Busquei inutilmente acorrentar-te a um passado de dores
04 Inutilmente.
05 Vieste – tua sombra sem carne me acompanha
06 Como o tédio da última volúpia.
07 Vieste – e contigo um vago desejo de uma volta inútil
08 E contigo uma vaga saudade…
09 És qualquer coisa que ficará na minha vida sem termo
10 Como uma aflição para todas as minhas alegrias.
11 Tu és a agonia de todas as posses
12 És o frio de toda a nudez
13 E vã será toda a tentativa de me libertar da tua lembrança.
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14 Mas quando cessar em mim todo o desejo de vida
15 E quando eu não for mais que o cansaço da minha caminhada pela areia
16 Eu sinto que me terás como me tinhas no passado
17 Sinto que me virás oferecer a água mentirosa
18 Da miragem.
19 Talvez num ímpeto eu prefira colar a boca à areia estéril
20 Num desejo de aniquilamento.
21 Mas não. Embora sabendo que nunca alcançarei a tua imagem
22 Que estará suspensa e me prometerá água
23 Embora sabendo que tu és a que foge
24 Eu me arrastarei para os teus braços.
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(http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=297)
O poema mostra uma dualidade em conflito, explicada na seguinte alternativa:
O eu lírico declara sua incapacidade de resistir a um interlocutor incógnito, temido e desejado.
A mulher amada não permite a reaproximação do eu lírico por temer suas atitudes autodestrutivas.
A imaginação do poeta supõe que as lembranças de um amor antigo jamais serão totalmente superadas.
O poeta está diante de uma miragem que o atormenta com figuras fantásticas de seu passado.
As visões alucinantes de um passado de dor são suficientes para levar o poeta ao desespero e à morte.