Leia o trecho do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, para responder às questões de números 35 a 40.

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Tabacaria

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Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

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Janelas do meu quarto,

Do meu quarto de um dos milhões do mundo que nin[guém sabe quem é

(E se soubessem quem é, o que saberiam?), Dais para o mistério de uma rua cruzada constante[mente por gente,

Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente [certa,

Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos [seres,

Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos [brancos nos homens,

Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada [de nada.

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(Fernando Pessoa, Obra Poética)

O poema revela

A
a forma otimista como o eu lírico supera seus desencantos, enfrentando as dificuldades.

B
o sofrimento do eu lírico quando reconhece o verdadeiro sentido de sua vida.

C
a sublimação das dificuldades do eu lírico firmada numa vida de reclusão.

D
a inquietude metafísica e existencial do eu lírico, marcada pela desesperança.

E
o reconhecimento que o eu lírico faz da realidade, vendo-a como agradável.