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Atenção: As questões de números 41 a 50 referem-se ao excerto abaixo reproduzido em itálico, de Nicolau Sevcenko, com adaptações. O que vem entre aspas constitui, a título de contextualização, trecho de apresentação da obra do autor, na sobrecapa do livro.
“Tomando uma viagem de montanha-russa como sua imagem e inspiração básicas, o historiador e crítico da cultura Nicolau Sevcenko avalia a transição do século XX para o XXI como um processo de aceleração contínua. A força que impulsiona essa cadeia acelerada de mudanças é a aplicação dos conhecimentos científicos na criação de novas tecnologias. Iniciado com o desenvolvimento de poderosos recursos energéticos, como a eletricidade e os derivados do petróleo, esse processo atinge um clímax no momento atual, com a revolução microeletrônica e das comunicações por satélite e cabo de fibra óptica. Assim, a montanha-russa posta em marcha no início do século XX atinge agora um ponto extremo: chegamos ao XXI como quem entra para a vertigem do loop.”
Essa etapa do loop representaria o período assinalado por um novo surto dramático de transformações, a Revolução
da Microeletrônica. A aceleração das inovações tecnológicas se dá agora numa autêntica reação em cadeia, de modo que
em curtos intervalos de tempo o conjunto do aparato tecnológico vigente passa por saltos qualitativos em que a ampliação,
a condensação e a miniaturização de seus potenciais reconfiguram completamente o universo de possibilidades e
5 expectativas, tornando-o cada vez mais imprevisível, irresistível e incompreensível. Sendo assim, sentindo-nos incapazes
de prever, resistir ou entender o rumo que as coisas tomam, tendemos a adotar a tradicional estratégia de deixar para
pensar nos prejuízos depois, quando pudermos.
A intenção deste texto é tentar contribuir para que isso não ocorra. Chamemos esse efeito perverso pelo qual a
precipitação das transformações tecnológicas tende a nos submeter a uma anuência passiva, cega e irrefletida, de síndrome
10 do loop. É fato que não se pode prever o curso e o ritmo das inovações tecnológicas, mas a conclusão seguinte − de que
também não podemos resistir a elas ou compreendê-las − não é verdadeira. Uma coisa que a técnica não pode fazer é
abolir a crítica, pela simples razão de que precisa dela para descortinar novos horizontes. A crítica, portanto, é o modo de a
sociedade dialogar com as inovações, ponderando sobre seu impacto, avaliando seus efeitos e perscrutando seus
desdobramentos. A técnica, nesse sentido, é socialmente consequente quando dialoga com a crítica.
15 Neste momento tumultuoso, em que a celeridade das mudanças vem sufocando a reflexão e o diálogo, mais do que
nunca é imperativo investir nas funções judiciosas, corretivas e orientadoras da crítica. Para isso é necessário adotar uma
estratégia baseada em três movimentos distintos. O primeiro consiste em conseguirmos desprender-nos do ritmo acelerado
das mudanças atuais, a fim de obter uma posição de distanciamento a partir da qual possamos articular um discernimento
crítico que nunca conseguiríamos estabelecer se nos mantivéssemos colados às vicissitudes das próprias transformações.
20 O segundo requer que recuperemos o tempo da própria sociedade, ou seja, o tempo histórico, aquele que nos fornece o
contexto no interior do qual podemos avaliar a escala, a natureza, a dinâmica e os efeitos das mudanças em curso, bem
como quem são seus beneficiários e a quem elas prejudicam. O terceiro movimento seria, então, o de sondar o futuro a
partir da crítica em perspectiva histórica, ponderando como a técnica pode ser posta a serviço dos valores humanos,
beneficiando o maior número de pessoas.
Obs.: loop = manobra de voo em que um avião perfaz um trajeto vertical circular semelhante a um laço, indo do voo normal ao
ascendente, aumentando a inclinação com relação ao solo até o voo invertido, realizando um mergulho e finalmente retornando à situação inicial.
(Adaptado de: A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa; coordenação: SOUZA, Laura de Mello e. e SCHWARCZ, Lilia Moritz. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 16 a 19)
Segmentos do texto recebem outra formulação nas alternativas abaixo.
A nova redação que não prejudica o sentido original é:
(linha 9) tende a nos submeter a uma anuência passiva / busca nos expor em decorrência de nossa conduta passiva.
(linha 12) pela simples razão de que precisa dela para descortinar novos horizontes / pelo motivo banal de estar em suas mãos a presciência do futuro.
(linhas 13) ponderando sobre seu impacto / depreciando seus efeitos deletérios.
(linhas 13 e 14) perscrutando seus desdobramentos / desviando propagação potencialmente negativa.
(linha 14) é socialmente consequente quando dialoga com a crítica / procede coerentemente, do ponto de vista social, quando estabelece interlocução com juízos críticos.