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O velho e o menino, donos da mula, com os cuidados que tiveram com o animal, antes de sair de casa para vendê-lo, mostraram que:
tinham pouco experiência na prática de negociar animais;
tinham muito cuidado com o animal, para que não se machucasse durante a viagem;
eram desonestos nos negócios, pois "enfeitaram o pavão" antes de vendê-lo;
conheciam as manhas para se fazer um bom negócio;
para fazer um bom negócio é preciso ser esperto, passar o outro para trás.
Quando Izé Biriba diz "Assim, meu velho, o que chega à cidade não é mais a mulinha; é a sombra da mulinha..." (linhas 35-37), na verdade ele está:
tentando convencer o velho a desistir da venda da pobre mulinha;
mostrando ao velho que não iria conseguir fazer uma boa venda;
achando que, com aquele sacrifício, a mulinha ia morrer;
obrigando o velho a sair de cima da mulinha;
debochando da mulinha, arriada por causa do peso que carregava.
O viajante, primeiro personagem a encontrar o velho, o menino e a mulinha, com as palavras que disse e a maneira como as pronunciou, teve a intenção de:
zombar do velho, achando que ele era pãoduro por não montar na mula;
falar mal do menino, por obrigar que o pai, já idoso, fosse a pé, impedindo que ele montasse na mula;
condenar o pai e o filho, por quererem vender o animal;
pichar quem faz promessa ou penitência, viajando a pé sem necessidade;
mostrar que não fazia sentido os dois irem a pé, sacrificando principalmente o velho, e o animal ir vazio.
A personagem, um homem muito simples que, além de não ter nome próprio, se satisfazia com pouco conforto, construiu a choupana porque sabia que só assim poderia se defender dos animais selvagens que havia na região.
A vida em cliques
Era uma vidinha monótona sem perspectivas: medíocre emprego numa empresa, as conversas inconseqüentes com os amigos, o trânsito congestionado. Mas aí ele voltava para casa e podia, enfim, viver uma aventura.
Na Internet, claro. Navegador infatigável, percorrera um território humano desconhecido e às vezes inquietante, até encontrá-la, primeiro em uma sala de bate-papo, depois em mensagens privadas. Conhecia-a apenas por Solly (Solitária?) e pouco sabia de sua vida. Mas eram, sim, almas-irmãs. Partilhavam os mesmos gostos, as mesmas inquietudes, as mesmas secretas aspirações. E ficavam horas trocando mensagens.
Quem não gostava, naturalmente, era a mulher. Estavam casados havia oito anos, não tinham filhos. Ela também trabalhava, claro – como sustentar uma casa e a Internet , com um emprego só? - e também tinha o seu quinhão de amargura. Que despejava no marido: você fica aí nessa Internet e não dá bola pra mim, não tenho com quem falar. Por isso, quando ela chegava do emprego, lá pelas dez da noite, ele tinha de precipitadamente desligar o computador. Clique: lá se ia a Solly. Lá se ia a única pessoa que para ele tinha importância.
Ah, se pudesse fazer o mesmo com a mulher. Se houvesse um dispositivo eletrônico capaz de fazer as criaturas sumirem... Tudo o que ele teria de fazer era dar um clique, e pronto, a incômoda esposa estaria deletada de sua existência.
Momentaneamente, claro. Porque a verdade é que não podia viver sem ela. Acostumara-se, pronto, sentia falta dela. De modo que seu dispositivo eletrônico permitira que, quando necessário, ele a acessasse. Seria a vida perfeita.
Seria? Não. Porque numa dessas vezes a mulher retornaria do ciberespaço com um vírus qualquer. Um vírus que a faria, por exemplo, muito atraente aos olhos do vizinho do lado. Ou seja: um vírus que tornaria a sua vida incompreensível, infernal. Nem tudo, infelizmente, se resolve por cliques.
(Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 04/2000)
A respeito do texto, NÃO é correto afirmar que:
é uma narrativa cujo final ou desfecho não lembra os que se encontram nos contos de fada: e viveram felizes para sempre.
É possível inferir que se pode viver uma aventura, mesmo que seja num mundo virtual.
O título "A vida em cliques" é caracteristicamente metafórico, ou seja, su-gere a idéia de uma vida feita mediante passes de mágica.
é uma narrativa, entrecortada por fatos da vida de um casal, que expri-me os grandes sentimentos humanos.
Extração vegetal e pesca foram as formas encontradas pela personagem para garantir sua sobrevivência na ilha.
A primeira atitude do protagonista, ao se encontrar em uma situação difícil, foi pedir a Deus que o ajudasse e protegesse.
A passagem do quinto parágrafo, revela o baixo nível cultural do treinador do time; uma pessoa sem conhecimentos da língua culta.
Todas os comentários tecidos sobre o texto são adequados, EXCETO.
A narrativa é desenvolvida por narrador-personagem; essa figura, além de contar a história, atua como uma das personagens na trama narrativa.
O narrador define-se como uma figura onisciente. É um ser que conhece tudo sobre as personagens, isto é, através dele somos informados, por exemplo, sobre o estado de espírito das personagens, seus sentimentos, intenções e pensamentos.
A despeito de o texto ser uma crônica literária, pode-se, a partir do que nele é representado, refletir sobre situações que afligem as pessoas na vida cotidiana.
O texto é uma crônica cuja trama narrativa envolve situações e dilemas semelhantes aos que se encontram na vida cotidiana.
Ainda por um processo analógico, pode-se inferir que o abridor de latas, neste conto, simbolize um instrumento que:
aponta o dinamismo, a estática das diferentes áreas.
afirma o retrocesso em marcha-a-ré, em diversas esferas.
Leia o texto abaixo e responda às questões a seguir
Rio + 10 ... por cento!
Apenas uma década depois
Encerrada há pouco em Johannesburgo, África do
Sul, a Conferência Rio + 10 terminou pateticamente,
sob o olhar desalentado de ambientalistas, jornalistas,
economistas e políticos.
5 ___ O Secretário de Estado dos EUA, Collin Powell, foi
vaiado por afirmar que os Estados Unidos estão, sim,
preocupados com a saúde ambiental do planeta. O
presidente Fernando Henrique Cardoso viu derrotada -
ao som da bem orquestrada banda regida pela Casa
10 Branca e que incluía Rússia, China, Índia e países
árabes exportadores de petróleo - a proposta brasileira
para que, dentro de oito anos, 10% da matriz energética
mundial viesse de fontes renováveis. Inclusive a
tecnologia made in Brazil ancorada no etanol, of
15 course. Ao mesmo tempo, o polêmico chefe de Estado
venezuelano, Hugo Chávez, sob tímidos aplausos,
dizia que “enquanto nós, governantes, vamos de
conferência em conferência, nossos povos vão de
abismo em abismo”.
20 ___ De concreto, mesmo, o que se produziu na Rio + 10
foi apenas uma vaga carta de intenções, com frases do
tipo “vamos reduzir a perda de espécies”,
“reconhecemos que países pobres precisarão de
ajuda financeira para cumprir os objetivos”, e
25 “reconhecemos o princípio da repartição de benefícios
obtidos com espécies de países pobres, ou seja,
asseguramos que as comunidades locais devem
usufruir de benefícios decorrentes da exploração de
recursos naturais encontrados em suas terras”. Tudo
30 isso pomposamente dito, mas sem metas definidas ou
prazos para implementação.
Travestidos de Tomaso de Lampedusa, afirmamos
que algo deve mudar para que tudo continue como
está. Até quando?
(FAVARETTO, J. A. UNO Notícias. Informativo do Sistema UNO de
Ensino, n. 4, outubro de 2002, p. 3.)
Considerando-se o modo de organização do discurso, é possível afirmar que o texto acima:
tem uma estrutura argumentativa, desenvolvida com elementos que deixam clara a opinião favorável do autor a respeito do fato polêmico abordado;
pode ser definido como dissertativo, pois nele o autor realiza um explanação dos acontecimentos que caracterizaram a Conferência Rio + 10;
é narrativo, em estilo jornalístico, com elementos que assinalam a presença do narrador e a sua opinião sobre os resultados da Conferência Rio + 10;
foi construído com uma parte narrativa e outra descritiva, sendo forte nesta última a opinião desfavorável do autor sobre os resultados da Conferência Rio + 10;
contém uma descrição detalhada das diversas correntes de interesses que se apresentaram na Conferência Rio + 10.
TEXTO 3 - EPITÁFIOS
Leon Eliachar
DE UM HUMORISTA
Aqui jaz uma gargalhada cercada de choro
por todos os lados.
DE UM CHOFER DE PRAÇA
Sua única corrida sem cobrar na volta.
DE UM CAÇADOR
Foi o dia da caça.
DE UM MOCINHO DE CINEMA
Fora da tela bastou um tiro.
DE UM PREFEITO
Este foi o único buraco que ele não fez.
DE UM LOCUTOR
Agora passemos a outro programa.
DE UM JOGADOR DE CARTAS
Foi pegado com cinco ases na mão.
DE UM TOUREIRO
O touro correu mais.
DE UM AÇOUGUEIRO
A carne é fraca.
DE UM COVEIRO
Chegou a minha vez.
Os motivos das mortes de alguns personagens estão explicita ou implicitamente indicados; o item em que essa indicação está ERRADA é:
mocinho de cinema: morte por arma de fogo;
toureiro: vítima do touro;
caçador: morto por um animal;
jogador: morto por ter sido desonesto;
humorista: assassinado por ofender alguém.
No que diz respeito às telecomunicações, o narrador tomou as seguintes providências: desligou o telefone, afim de evitar que pedissem para ele a digitação de asterisco 9; doou o celular, na expectativa de ser presenteado com um modelo mais recente; adquiriu outro aparelho por temer que as microondas o dessem câncer no cérebro.