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TEXTO III
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SÓ É LITERATURA QUANDO INCOMODA
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Jana Lauxen
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Como escritora, editora e, principalmente, leitora,
tenho observado um fenômeno desconcertante acometer
a literatura nacional: o processo de politização obediente
dos novos escritores brasileiros. Muitas vezes tenho a
5 impressão de que a nossa produção literária cortou o
cabelo, fez a barba, colocou sapatos de couro, terno,
gravata, e agora é o genro que mamãe pediu a Deus. E,
sabem: isso me incomoda. Profundamente.
Porque, em minha opinião, a literatura que não
10 lhe sacode; que não lhe tira do lugar onde você
confortavelmente está; que não lhe faz repensar; que não
desconstrói e bagunça; que não coloca o dedo na ferida
e chafurda; é uma literatura inofensiva – logo, irrelevante.
Os livros e autores que me conquistaram, e me fizeram
15 compreender o poder da literatura na formação política e
social de qualquer cidadão, falavam de sexo, de drogas,
de dor, de vida, de desespero – e não de dragões, fadas
e gnomos.
(...)
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(http://zonacurva.com.br/o-caminho-dos-excessos-fazendo-diferenca/ Acesso em: 21 fev 2017)
Jana Lauxen, ao utilizar a expressão metafórica “genro que a mamãe pediu a Deus”, comparando-a à Literatura de nosso tempo, esclareceu que essa literatura é para ela