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Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
Pensar e redigir
O aluno diz ao professor que está com “ótimas ideias” para fazer o trabalho, falta “apenas colocar no papel”. O rapaz acha que a passagem da boa ideia para a redação que a sustentará é fácil, ou mesmo automática. É como se o bom conteúdo imaginado garantisse por si mesmo a forma que melhor o expressará. Essa ilusão se desmancha logo na primeira frase: descobre-se que cada palavra empregada fixa-se inapelavelmente no papel, diz somente o que diz, e o mesmo acontece com a ordem das frases que vão chegando, tudo é inapelável, e se apresenta longe de corresponder às “ótimas ideias”.
Não é o caso de desanimar, mas de aprender que é longo o caminho que vai da ideia solta e criativa ao necessário determinismo das palavras. Aprende-se com isso o limite que é nosso, a fronteira onde se detém nossa capacidade de expressão. Esse aprendizado sofrido não deixa de ser um ganho: faz-nos querer alargar os domínios da nossa capacidade expressiva.
Sendo um limite, na sua compulsória particularização de sentido, toda linguagem é também a garantia de alguma forma conquistada; ainda que modesta no alcance, essa forma é mais do que o silêncio que a precedia. O que nos limita é também o que nos define: é o que nos diz nossa linguagem, no espelho da página em que se projeta.
(CRUZ, Aníbal Tolentino, inédito)
Está plenamente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto:
As ilusões de um jovem aluno costumam decorrer de que, para ele, tão logo as ideias se assentem, assim também deverão ocorrer às palavras que lhes correspondem.
Caso fosse automática a passagem dos pensamentos para a representação que lhe correspondem, seria fácil traduzir da melhor forma as ideias que houvesse de ocorrer.
As ideias que um aluno julga em princípio que são ótimas revelam-se insuficientes para que se propaguem delas alguma expressão de fato digna de seu alcance.
Os limites verbais da expressão de um pensamento podem também ser vistos como úteis demarcadores do alcance de uma linguagem que se deseja expandir.
Não há linguagem em cuja representação também não seja vitoriosa, diante do silêncio que soube vencer tão logo esta alcançou um mínimo de manifestação.