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Leia os trechos a seguir.
“Que sublime abnegação, minha prima! E, como eu me sentia pequeno e mesquinho à vista desse amor tão nobre!”
(ALENCAR, José de. Cinco minutos. Domínio público: Biblioteca Virtual dos Estudantes/ USP. s/d.).
“Francamente, eu não gosto de gente que venha adivinhando e compondo um livro que está sendo escrito com método. A insistência da leitora em falar de uma só mulher chega a ser impertinente. Suponha que eles deveras gostem de uma só pessoa; não parecerá que eu conto o que a leitora me lembrou, quando a verdade é que eu apenas escrevo o que sucedeu e pode ser confirmado por dezenas de testemunhas? Não, senhora minha, não pus a pena na mão, à espreita do que me viessem sugerindo. Se quer compor o livro, aqui tem a pena, aqui tem o papel, aqui tem um admirador; mas, se quer ler somente, deixe-se estar quieta, vá de linha em linha; dou-lhe que boceje entre dois capítulos, mas espere o resto, tenha confiança no relator destas aventuras.”
(ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. Domínio público: Fundação Biblioteca Nacional. s/d.)
Ao trazer a presença do leitor para a narrativa, Cinco Minutos (CM) e Esaú e Jacó (EJ) possuem um horizonte de expectativa de recepção diferenciada, porque
CM desenha um leitor ingênuo, envolvido com a intriga e EJ lança o leitor em situação de crítica.
CM emprega uma exclamação que busca concordância e EJ vale-se de um raciocínio complacente.
CM, sendo romântico, pretende conduzir o leitor em uma viagem da imaginação e, EJ, sendo realista, retém o leitor no mundo não-ficcional.
CM interpela o leitor como um modo de retirá-lo da fantasia e, EJ, ao interpelar o leitor, pretende chamálo para dentro da fantasia.